Análise técnica e fundamentalista: entenda e saiba quando usar cada uma

A análise técnica se baseia em apenas duas informações: preços e volumes; já a fundamentalista usa várias informações da empresa

SÃO PAULO – Se você investe ou se interessa pelo mercado acionário, com certeza, já deve ter ouvido falar em análise técnica e análise fundamentalista. Mas você sabe o que significam esses dois termos e quando se deve optar por uma ou por outra?

O especialista em finanças pessoais da MoneyFit, André Massaro, ressalta que a análise fundamentalista utiliza diversas informações sobre a empresa a ser analisada – como indicadores financeiros, de mercado, de lucratividade – além de informações do setor onde a empresa atua e da economia como um todo. “Com base nessas informações, o analista procura descobrir qual o valor da empresa  – o preço justo – e o compara com o preço de mercado, para descobrir se ela está abaixo ou acima do que seria o valor teoricamente correto”, afirma Massaro.

Já a análise técnica é baseada unicamente em duas informações: preços e volumes. “Com essas informações, o analista técnico cria gráficos e tenta detectar padrões nesses gráficos, ou então, desenvolve indicadores técnicos baseados nesses dados (preço e volume) para identificar tendências ou pontos em que os preços se afastaram demais de suas médias (o que, supostamente, indicaria um momento de reversão de movimento)”, ressalta o especialista.

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Quando usar cada uma?
O especialista da MoneyFit lembra que é comum as pessoas pensarem que a análise fundamentalista deve ser usada no longo prazo e a técnica no curto prazo. “Isto não é necessariamente verdadeiro”, diz.

Segundo ele, a análise técnica pode ser usada em qualquer período, desde operações de day trade (compra e venda de um ativo no mesmo dia) até operações com expectativa de durar meses ou anos. “Já a análise fundamentalista é, de fato, um pouco limitada no curto prazo, pois ela não usa tantas informações em tempo real como a análise técnica”, explica.

Vantagens e desvantagens
As duas formas de análise possuem vantagens e desvantagens. “A análise fundamentalista é, de certa forma, mais difícil de fazer, pois envolve muitos dados e um conhecimento de finanças que está fora do alcance da maioria das pessoas”, diz Massaro.

Além disso, este tipo de análise costuma ser criticada por não indicar pontos de compra e venda tão claramente. “Mas por outro lado ela é baseada em dados sólidos da economia e do mercado e é a metodologia adotada pela grande maioria dos investidores profissionais no mundo todo. Os grandes bancos e fundos de investimento têm clara preferência por estratégias de natureza fundamentalista”, lembra o especialista.

Já a análise técnica é relativamente mais fácil de aprender e pode ser usada em praticamente qualquer ativo, sem precisar conhecer as características individuais dele. “Ela oferece pontos muito claros de entrada e saída, o que ajuda muito o investidor na tomada de decisão”, diz Massaro.

Por outro lado, ele lembra que existe um alto grau de subjetividade na análise técnica e suas bases teóricas são bastante questionáveis. “Os profissionais do mercado e investidores institucionais costumam olhar desconfiados para a análise técnica, mas como ela é muito fácil de aprender – comparada à análise fundamentalista, que exige conhecimentos de finanças e contabilidade que normalmente são ensinados em cursos superiores ou de pós-graduação -, ela é ‘campeã de audiência’ entre investidores individuais”, diz Massaro. “Isso se pode observar pela enorme quantidade de sites, livros, cursos e seminários de análise técnica voltados para esse público”, conclui o especialista.