Amazon, Mercado Livre e Uber: por que a distribuição ganha valor com a IA

Arbor Capital avalia que a IA torna produtos digitais mais fáceis de replicar e aumenta o valor de plataformas com grandes redes de usuários

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A inteligência artificial facilitou a criação de novos produtos digitais e tornou softwares mais fáceis de replicar. Para Leonardo Otero, fundador da Arbor Capital, essa transformação aumenta o valor estratégico dos canais de distribuição.

Companhias com grandes bases de usuários e redes consolidadas de vendas tendem, nesse ambiente, a concentrar uma parcela maior do valor. É o caso de ecossistemas de comércio eletrônico como Amazon, Shopee e Mercado Livre e de plataformas de serviços como Uber, iFood, DoorDash e Airbnb.

“Se a gente for pensar, um produto digital é um software. Então o software, com a IA, sem dúvida ficou mais fácil de ser replicado. Faz muito sentido pensar que, em termos relativos, uma parte maior vai ficar para a distribuição do que ficava antes”, avaliou Otero.

Se criar ficou mais fácil, distribuir ganha importância

A lógica apresentada pelo gestor é que a facilidade trazida pela IA para desenvolver produtos digitais aumenta, em termos relativos, a importância de quem já possui acesso a grandes contingentes de usuários e redes consolidadas de vendas.

Esse movimento também aparece na consolidação do chamado agentic commerce, modelo que permite integrar produtos e serviços digitais diretamente a ferramentas de inteligência artificial.

Amazon (AMZO34), Shopee, Mercado Livre, Uber, iFood, DoorDash e Airbnb aparecem entre os exemplos citados nesse contexto.

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Efeito de rede favorece plataformas digitais

A concentração promovida pela internet também favoreceu negócios que funcionam com efeito de rede.

Otero cita a Carvana, plataforma de comércio de veículos, como exemplo. Ao levar para o ambiente virtual o mercado físico de carros usados, a companhia conquistou uma fatia relevante do setor nos Estados Unidos.

A tese reforça a importância da distribuição: quanto mais fácil fica replicar um produto digital, maior pode ser a parcela de valor concentrada nas empresas que já possuem grandes redes de usuários.

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Tokenização avança, mas ainda esbarra na regulação

Outra frente acompanhada pela Arbor é a tokenização de ativos reais e financeiros por meio de blockchain.

O tema ganhou espaço na pauta de corretoras digitais como Robinhood Markets e de administradoras de mercados organizados como Nasdaq. O movimento também afeta operadoras de cartões como Visa e Mastercard, que acompanham a evolução das moedas digitais e das transações com criptomoedas.

A adoção, porém, ainda enfrenta barreiras regulatórias e indefinições sobre garantias jurídicas em disputas comerciais. Na avaliação de Otero, essas limitações ainda restringem o modelo nos mercados de capitais abertos e tornam mais lenta a expansão do formato on-chain (registrado e processado diretamente em uma blockchain).

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“O grande desafio desse tema é os governos toparem e liberarem o blockchain. Às vezes, ele é visto como tendo um propósito meio anarquista, e os governos se sentem um pouco enfraquecidos com isso”, declarou Otero.

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Victória Anhesini
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