Alocação em ações cresce no Brasil após correção da Bolsa, aponta pesquisa

Segundo levantamento da XP junto a sua rede de assessores, no entanto, as estimativas para o Ibovespa ao final de 2026 foram revisadas para baixo, caindo de 196 mil para 191 mil pontos

Leonardo Guimarães

Painel da Bolsa de Valores/B3 (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
Painel da Bolsa de Valores/B3 (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

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Investidores aumentaram a alocação em ações após a correção da Bolsa, que opera 11% abaixo da máxima histórica registrada em abril. Este é o principal achado da mais recente pesquisa realizada com assessores e consultores vinculados à XP. No entanto, o apetite para continuar comprando diminuiu drasticamente.

Segundo o levantamento, que contou com 106 respondentes, houve migração dos clientes para faixas mais altas de exposição ao mercado acionário. A parcela de respondentes com apenas zero a 10% da carteira em ações caiu para 36%. Em contrapartida, o grupo com alocação entre 10% e 25% subiu para 45%. Nas fatias de maior risco, também houve uma rotação, com investidores movendo recursos da faixa de 25% a 50% para a faixa de 50% a 100% de alocação.

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Apesar de estarem com mais ações na carteira atualmente, a intenção dos investidores de aumentar ainda mais essa exposição diminuiu. Cerca de 75% dos assessores indica que seus clientes planejam manter as atuais alocações inalteradas, um salto de 12 pontos percentuais na comparação com a pesquisa de abril. A fatia dos que planejam aumentar a exposição recuou para 20% ante 29% um mês antes.

A nota média de sentimento dos assessores em relação à Bolsa caiu de 7,4 para 7,0. Como reflexo, as estimativas para o Ibovespa ao final de 2026 foram revisadas para baixo, caindo de 196 mil para 191 mil pontos. O novo alvo implica um potencial de alta de apenas 8% frente ao patamar de 176 mil pontos.

Refúgio na renda fixa

A renda fixa continua com a liderança absoluta na preferência das carteiras. O interesse geral pela classe subiu para 74% dos clientes – alta de 5 pontos percentuais –, enquanto o interesse específico em fundos de renda fixa disparou para 60% ante 51% em abril.

Na contramão, o interesse geral na classe de ações despencou 11 pontos percentuais, para 40%. Houve também um movimento de diversificação geográfica, com o interesse por investimentos internacionais crescendo para 42% (+8 pontos percentuais), impulsionado pela busca por ETFs e fundos no exterior. A valorização recente do real, no entanto, ainda não influenciou as decisões de alocação para 57% dos clientes.

Riscos e setores favoritos

Os assessores elencaram o que mais assusta o mercado e o que poderia reverter a aversão ao risco no curto prazo. A instabilidade política e as eleições formam a principal fonte de preocupação, citadas por 68% dos profissionais, seguidas de perto pelos riscos fiscais no Brasil, mencionados por 59%. Os conflitos geopolíticos e guerras também ganharam relevância, alertando 44% dos respondentes. 

O principal gatilho esperado para destravar o apetite por risco continua sendo o corte de juros no Brasil, fator apontado por 69%, seguido por uma eventual mudança de rumo na política econômica. 

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Nesse cenário de incertezas, o posicionamento setorial na Bolsa segue extremamente defensivo. O setor financeiro domina a preferência de investimentos com 80% de interesse, seguido por elétricas e saneamento com 62%. Setores dependentes de juros baixos, como varejo e educação, amargam a lanterna da preferência com apenas 5% de menções cada.