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As taxas do Tesouro Direto voltam a subir nesta quinta-feira (20), devolvendo parte do alívio registrado na véspera, à medida que o mercado global demonstra ceticismo com a intervenção anunciada pelo Tesouro americano para conter a alta dos juros longos. Os prefixados lideram o movimento.
O Tesouro Prefixado 2032 subiu de 14,68% na quarta-feira para 14,73% nesta manhã, alta de 5 pontos-base. O Prefixado 2029 avançou de 14,25% para 14,29%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,72% para 14,76%, ambos com 4 pontos-base de alta.
Nos títulos de inflação, a variação foi bem mais contida. O IPCA+ 2050 subiu de 7,31% para 7,34%, maior alta do grupo, enquanto o IPCA+ 2032 avançou de 8,08% para 8,09%, o IPCA+ 2040 foi de 7,55% para 7,56% e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 subiu de 7,54% para 7,55%, todos com apenas 1 ponto-base de variação.
O pano de fundo é a reação do mercado à medida anunciada na quarta-feira pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, comandado por Scott Bessent, que informou que vai ao menos dobrar o tamanho de suas operações de recompra de títulos, passando o limite máximo por operação de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões nos trechos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos da curva. O anúncio veio apenas duas semanas depois de o órgão ter divulgado seu cronograma trimestral de recompras.
O efeito imediato foi expressivo. O rendimento do título de 30 anos, que na terça havia atingido 5,33%, maior patamar desde junho de 2007, fechou a quarta em queda de 9 pontos-base, a 5,196%, enquanto o papel de 10 anos encerrou em baixa de 5,7 pontos-base, a 4,647%. Nesta quinta, porém, o movimento se inverteu, com o rendimento de 30 anos subindo cerca de 4 pontos-base, para o entorno de 5,23%.
Analistas avaliam que a medida trata de um problema de liquidez, não das causas estruturais que vêm pressionando os juros longos. “Vai funcionar como um circuit breaker para essa liquidação de vencimentos longos em nível global”, disse Andrew Lilley, estrategista-chefe de juros da Barrenjoey Markets Pty, em Sydney, à Bloomberg, ressalvando que isso não basta, por si só, para deter a alta dos rendimentos.
A Franklin Templeton mantém posição underweight em títulos de vencimento longo, por avaliar que o movimento dificilmente provocará um rali duradouro. Andrew Canobi, diretor de renda fixa da gestora, aponta uma “sincronia de forças que apontam para juros mais altos e curvas mais inclinadas”, com as maiores economias desenvolvidas enfrentando ao mesmo tempo pressões fiscais e inflação persistente. Segundo ele, enquanto esse quadro prevalecer, os vencimentos mais longos devem seguir sem encontrar demanda relevante.
O quadro fiscal americano ajuda a explicar a resistência do mercado. O déficit dos Estados Unidos saltou para US$ 432,3 bilhões em julho, maior valor mensal desde março de 2021, levando o acumulado do ano para perto de US$ 1,8 trilhão. Os juros pagos para financiar a dívida nacional, que se aproxima de US$ 40 trilhões, custaram cerca de US$ 1,2 trilhão ao governo americano neste ano.
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h23 desta quinta-feira (20):
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| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | 01/01/2036 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0732% | 01/03/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 14,29% | 01/01/2029 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,73% | 01/01/2032 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,76% | 01/01/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,09% | 15/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,77% | 15/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,56% | 15/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,55% | 15/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,34% | 15/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,41% | 15/08/2060 |