Ainda existe risco de racionamento no Brasil ?

Enquanto o presidente da CGE quer responsabilidade pública nas mudanças estruturais, o ministro de Minas e Energia acredita nos investimentos externos

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SÃO PAULO – Segundo o Ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, o sistema elétrico brasileiro corre menos riscos de enfrentar uma nova crise energética que os EUA, como a que ocorreu recentemente no Estado norte-americano da Califórnia. O risco de um novo racionamento no Brasil é relativamente menor, pois o montante de energia contratada pelo país é maior do que o norte-americano.

Racionamento não atinge só países subdesenvolvidos

A falta de energia elétrica é um problema que afeta também a países desenvolvidos, como declara Gomide: “A modernização do sistema elétrico não é um problema de incompetência da administração brasileira, mas uma dificuldade enfrentada por países no mundo inteiro”.

Investimento privado

Os empresários norte-americanos vêm demonstrando interesse em investir no setor energético brasileiro. Para o ministro, investimentos privados provocarão expansão no setor, como afirma: “O objetivo principal da revitalização do modelo do setor elétrico é atrair investimentos privados para sua expansão”.

Mercado secundário de gás combustível

Os investidores estrangeiros manifestaram preocupação com a inflexibilidade dos contratos de compra de gás combustível para indústrias térmicas. Esse fato é explicado pela tentativa de atrair capital privado e, de fato, introduzir o gás natural no mercado, já que o produto não é encontrado facilmente no Brasil.

O mercado considera mais prático promover um mercado secundário no Brasil do que querer subordinar a expansão do parque industrial termoelétrico a uma mudança de contrato. Além disso, se considerarmos que haverá um novo governo na Bolívia, o principal exportador de gáa natural para o Brasil, no começo de agosto, isso poderá ser um catalisador negativo para qualquer melhoria nas negociações.

Pedro Parente quer mudanças estruturais

Já o ministro-chefe da Casa Civil e presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGE), Pedro Parente, acredita que os cálculos dos riscos de novos problemas de abastecimento de energia permitem que sejam adotadas medidas de natureza estrutural e permanente que reverterão o quadro a tempo.

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Segundo as próprias palavras do presidente da CGE: “Por isso nós insistimos na existência da responsabilidade pública, no caso, o Ministério de Minas e Energia, que poderá adotar medidas para que daqui a quatro ou cinco anos este problema esteja resolvido. Eu vejo que as autoridades têm que continuar uma política de aumento de oferta de energia para que não se tenha problema de abastecimento a partir de 2006”.

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