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UBS eleva posição em Bolsa para "acima do neutro" e vê real mais próximo de valor justo

Com visão positiva sobre a agenda de reformas no Brasil, banco promoveu mudanças na alocação, privilegiando ativos de renda variável

ações alta bolsa índices gráfico
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Em meio a uma visão otimista sobre a agenda de reformas no Brasil, de olho na baixa taxa de juros e seus efeitos sobre o custo da dívida das empresas, nos riscos externos e monitorando a desaceleração da atividade, o UBS promoveu mudanças na alocação no Brasil.

Em relatório intitulado “Investindo no Brasil - Como fazer amigos e influenciar pessoas”, em referência ao célebre livro de Dale Carnegie, o UBS diz esperar que a reforma da Previdência seja aprovada nos próximos dois meses, com impacto robusto nas despesas do governo nos próximos dez anos, e permitindo que a agenda pública avance.

Dentre as alterações promovidas na carteira de alocação tática, a Bolsa foi a maior beneficiada, com uma posição elevada para “acima do neutro” (que equivale a compra), mesma mudança feita para ativos globais, leia-se, exposição a dólar. O banco ainda rebaixou a posição para títulos de renda fixa pós-fixados para “muito abaixo do neutro”; e manteve fundos imobiliários em “acima do neutro” e os títulos indexados à inflação, prefixados e fundos multimercados, em “neutro”.

Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management que assina o relatório, destaca que há uma agenda pró-negócios esperando para acontecer e que as prioridades já foram definidas pelos ministérios da Economia e de Infraestrutura. “O ambiente global desafiador, incluindo o aumento das tensões comerciais e dados de atividade mais lentos nos países desenvolvidos, acrescenta urgência a essa agenda”, diz.

Confira a seguir as avaliações do UBS para cada classe de ativo da carteira.

Bolsa

A principal mudança recai sobre a Bolsa, com um aumento de exposição sobre ações de “neutro” para “acima do neutro”, em antecipação a um ambiente econômico e pró-negócios melhor. No relatório, o UBS destaca que o mercado acionário tem ignorado as más notícias sobre os dados de atividade, com o foco dos investidores apenas nas questões globais e de reforma.

“Há uma forte crença no mercado de que, se o Brasil estabilizar sua situação fiscal, a confiança voltará forte e o investimento na economia real se recuperará após anos de letargia. Além disso, também há a expectativa de que a agenda positiva continue após o término do processo de reforma previdenciária”, escreve Patah.

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Ainda que ressalte ser esperado um crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB) este ano – ontem o Banco Central inclusive reduziu de 2% para 0,8% a previsão para o crescimento da economia em 2019 –, o UBS assinala que as expectativas de crescimento dos lucros não caíram muito e avalia que as empresas ainda estão desfrutando dos benefícios do aumento de produtividade após anos de recessão, além de um menor custo de dívida, graças à baixa taxa de juros.

Dólar

A exposição ao dólar também aumentou de "neutro" para "acima do neutro" na alocação de ativos táticos do banco. Para o UBS, em meio à adoção de uma postura mais flexível dos principais bancos centrais do mundo desenvolvido nas últimas semanas, a moeda brasileira recuperou algum terreno e agora está próxima de seu valor justo. Ter uma posição em dólar, diz o banco, contribui para o papel de proteção do portfólio. 

Os principais riscos para o cenário recaem sobre uma imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre as exportações da China; uma mudança na postura do Fed, o banco central americano; uma persistente desaceleração nos dados da atividade econômica global; um atraso na reforma da Previdência no Brasil; e fatores geopolíticos no Oriente Médio.

Fundos Imobiliários

A visão sobre os fundos imobiliários seguiu positiva, com uma exposição “acima do neutro”. O motivo reside na atratividade dos ativos em um cenário de taxa de juros baixas e perspectivas favoráveis de retorno e diversificação.

“Como os títulos de renda fixa estão sendo negociados nos níveis mais caros nos últimos dez anos, acreditamos que os investidores buscarão fundos imobiliários como forma de diversificar e aumentar o retorno de seus portfólios. O novo cenário para taxas de juros aumenta o atrativo dessa classe de ativos”, destaca o UBS.

Fundos multimercados

Sem grandes considerações, a posição em fundos multimercados foi mantida em “neutra”, em um contexto de taxas de juros mais baixas, que têm levado os gestores a aumentarem a volatilidade de seus fundos e a uma exposição ao risco ainda mais diversificada, especialmente no mercado internacional. Como há a perspectiva de que a taxa de juros deverá permanecer baixa por mais tempo ou cair ainda mais, o banco ressalta que o nível de risco dos fundos provavelmente permanecerá alto.

Renda fixa

Já na classe de ativos mais conservadores, o UBS tem uma visão mais pessimista e não vê espaço adicional para ganhos dos títulos. Segundo o banco, os papéis prefixados já se valorizaram em larga escala ao longo do mês passado, por conta da onda de flexibilização monetária maciça acionada pelos principais bancos centrais, com impacto no Brasil, onde o mercado ainda sofreu a pressão do fluxo de notícias locais, com dados de atividade cada vez mais fracos e uma inflação sob controle.

“Acreditamos que o BC aguardará a aprovação da reforma no primeiro turno do plenário da câmara e depois cortará as taxas, mas será um afrouxamento muito moderado. Isso já foi precificado na curva de juros, então mantemos a exposição a títulos prefixados em neutro”, diz o UBS.

A avaliação sobre os títulos indexados à inflação segue a mesma linha, porém o banco destaca que os papéis sofreram um impacto ainda maior dos eventos globais, por terem vencimentos mais longos.

Embora avalie que o mercado tenha antecipado muitas boas notícias, o UBS não vê fortes razões para uma correção de preço nesses títulos no curto prazo, mas também duvida que a valorização acelerada continue. Por isso, mantém os papéis atrelados à inflação em posição “neutra”, com uma visão de que estão com preços justos e pelo fato de sua alocação estratégica já proporcionar uma exposição razoável à classe de ativos. Nesse universo, os títulos com vencimentos próximos a dez anos ainda são tidos como os mais atraentes.

A pior consideração recai sobre títulos pós-fixados, com a redução da exposição de “abaixo do neutro” para “muito abaixo do neutro”, para compensar o aumento em ações e ativos internacionais.

Títulos em dólares

Por fim, também são esperados retornos mais discretos para títulos brasileiros denominados em dólares daqui para frente.

“Os títulos brasileiros, a nosso ver, terão desempenho em linha com os pares, com bolsões de desempenho superior. Mantemos assim uma alocação neutra para o Brasil em nossa carteira recomendada de crédito de mercados emergentes, mas acreditamos que os investidores podem se beneficiar de um bom número de oportunidades. O espaço quase soberano parece atraente para nós, assim como os créditos que podem se beneficiar do surto da epidemia de peste suína africana na Ásia, entre outros.”

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