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Resiliência na Bolsa: as ações selecionadas em um cenário mais turbulento no curto prazo

Dahlia Capital aposta em ações do setor elétrico diante de ambiente mais conturbado, enquanto analista da XP menciona JBS e Lojas Renner

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Ações de empresas resilientes, menos suscetíveis aos efeitos de uma atividade econômica mais fraca e um cenário mais conturbado, são a bola da vez do mercado neste momento. Pelo menos no curto prazo.

Em evento realizado no último sábado pela Clear Corretora dirigido a mulheres na Bolsa, Sara Delfim, sócia-fundadora da gestora Dahlia Capital, e Betina Roxo, analista da XP Investimentos, mencionaram papéis que estão no radar das respectivas casas no momento atual.

Com uma expectativa cada vez menor para o crescimento do PIB, Delfim destacou o setor elétrico como fonte de oportunidade, em meio à visão de que a demanda por energia varia pouco, é menos elástica. Nesse sentido, ações da Eneva e da Equatorial estão entre as preferências da Dahlia.

Os papéis da Petrobras também foram mencionados pela sócia-fundadora, que está atenta às mudanças em curso na governança corporativa da empresa, assim como aos aumentos de preços do petróleo.

Ações do tipo "small caps", que correspondem a empresas de menor capitalização de mercado e são representadas pelo ETF SMALL11, estão também na lista da Dahlia. A gestora tem entre 20 e 25 nomes na carteira, das quais algumas do mesmo setor, como o elétrico, com cerca de cinco representantes, porém com teses diferentes.

“O Brasil é meio que uma jabuticaba, tudo acontece por aqui. O bom é ter setores que estão caminhando e também apostar naqueles mais defensivos, que não caem ou caem menos”, disse a sócio-fundadora.

A analista da XP, por sua vez, disse que a casa segue com uma visão estrutural positiva de Brasil, apesar do curto prazo mais complicado. Com um cenário de maior pressão, a busca recai sobre empresas mais resilientes, caso de Lojas Renner, empresa que segue entregando bons resultados, ainda que Roxo não acredite em um potencial tão alto para a companhia no longo prazo.

Ações de frigoríficos, como JBS, também oferecem oportunidades, em meio à propagação da peste suína africana e seu reflexo sobre os preços. Apesar da forte alta dos papéis da JBS no ano, a analista da XP observou que o evento ainda não teve um impacto real nos resultados da empresa.

Pensando mais no longo prazo, ações de bancos e o setor de consumo são bem avaliados por Roxo, que destacou ainda que ações descontadas, como da Vale e da Suzano, também contam com visão positiva.

Mulheres na Bolsa

Mulheres são mais pacientes, disciplinadas, diligentes e, como resultado, investem melhor. Mas por que será que ainda são minoria no mercado financeiro, especialmente na Bolsa brasileira? Como transformar essa realidade?

O evento deste sábado se propôs a discutir o tema com um público formado praticamente só por mulheres, com apresentações feitas por analistas, gestoras e investidoras, nas quais muito se falou sobre a importância de se ter exemplos femininos no mercado para estimular o aumento da representação das mulheres.

No mercado financeiro, elas ainda são poucas. Na Bolsa, as investidoras respondem apenas por 22% de aproximadamente 1 milhão de CPFs cadastrados em instituições financeiras (que podem contabilizar um mesmo investidor mais de uma vez). No Tesouro Direto, a participação sobre o total de investidores cadastrados (não necessariamente ativos) é um pouco maior, de 30%.

“Quanto mais a gente sobe, menos representatividade a gente tem, e o motivo disso é a falta de referência”, disse Ana Buchaim, diretora de Pessoas e Marca da B3.
A executiva fez menção a uma pesquisa que mostrou a distribuição de homens e mulheres nas maiores empresas do Brasil, e que revelou participação feminina de apenas 11% nos conselhos de administração, de 13,6% nos quadros administrativos e de 31,3% em posições de gerência.

Mesmo na B3, onde as mulheres respondem por cerca de 35% dos funcionários, a representação em cargos mais seniores é menor.

Heloisa Cruz, analista e gestora do Stoxos Clube de Investimentos, ressaltou no evento que as mulheres gestoras tendem a apresentar desempenhos melhores que os dos homens. "Elas têm mais paciência, mais disciplina e mais diligência", afirmou.

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