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O que precisa para o Ibovespa quebrar a barreira dos 100 mil pontos?

Para especialistas, a Bolsa subiu muito rápido nos últimos meses e agora aguarda as definições da reforma da Previdência

Bolsa Ibovespa investimento gráfico
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Já faz 45 dias que o Ibovespa oscila na faixa dos 94 mil a 98 mil pontos, sem conseguir ultrapassar esse patamar. Mas se a maioria dos analistas enxerga boas perspectivas para o mercado de ações no Brasil este ano, porque está tão difícil para o índice atingir a marca histórica de 100 mil pontos?

Marcos Peixoto, CEO da XP Asset, destaca a velocidade da valorização da Bolsa entre o final do ano passado e o começo de 2019. No início de setembro de 2018 o Ibovespa estava em 74 mil pontos, e chegou a subir mais de 32% para 98.589 pontos em fevereiro de 2019.  “A verdade é a Bolsa subiu muito rápido. Os múltiplos já foram reprecificados para patamares mais razoáveis”, afirma.

Segundo ele, o investidor vai precisar ter mais paciência e atenção na escolha dos papéis para conseguir retornos satisfatórios. “Acho que o ‘ganho fácil’ já passou”.

Peixoto segue otimista, mas afirma que o potencial de valorização agora depende mais dos resultados individuais das empresas, que estão divulgando seus balanços. E além disso, o mercado precisa de algo que dê uma injeção de confiança aos investidores. “Acho que isso só vem após a aprovação da reforma da Previdência”, acredita.

O assessor de investimentos Jorge Luis Gil, da Sal investimentos, concorda que o Ibovespa continua em uma espécie de compasso de espera pela reforma da Previdência. “É algo essencial para um movimento mais consistente de alta que consiga fazer índice romper a barreira dos 100 mil pontos”, diz.

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Segundo ele, enquanto aguardam a conclusão da reforma, os investidores preferem não mexer muito nos ativos que já têm em carteira, e evitam fazer novas apostas neste momento. “Isso torna mais difícil o  rompimento dos 100 mil pontos”, explica.

Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, afirma que se a reforma não for muito desidratada e a economia do governo conseguir se manter perto de R$ 1 trilhão, o Ibovespa tende a se valorizar mais. “O que vai fazer o mercado subir é se de fato a agenda reformista sair do papel”, acredita.

Queda de quase 2%

A queda do Ibovespa nesta quinta-feira (28) mostra como os investidores estão sensíveis a qualquer notícia sobre a reforma da Previdência.

Em encontro com jornalistas em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a idade mínima de 62 anos para as mulheres se aposentarem pode ser alterada para 60 anos. 

Ele ainda admitiu que pode haver mudanças na regra do BPC (Benefício de Prestação Continuada). O projeto aponta que idosos pobres já passariam a receber salário mínimo ao completar 70 anos. A partir dos 60 anos, receberiam R$ 400 por mês.

O mercado financeiro, que flerta com medidas mais austeras para conter os gastos previdenciários, reagiu mal às declarações e o Ibovespa opera hoje com queda de quase 2%.

Ibovespa nos 125 mil pontos até o final do ano

Ainda que no curto prazo haja volatilidade em torno desse patamar de 94 mil a 97 mil pontos, a tendência da Bolsa para o ano segue positiva. “De maneira geral, o cenário é otimista.  Assim que a reforma for concluída haverá uma reavaliação dos ativos, tornando mais fácil o rompimento do patamar de 100 mil pontos”, diz Jorge Luis Gil.

Os gestores da Dahlia Capital também enxergam perspectivas favoráveis. Para eles, a Bolsa pode atingir a marca de 125 mil pontos ainda este ano. A avaliação é que o mercado acionário brasileiro está barato e cenário macroeconômico contribui para o bom potencial de alta.

“Quando se descontam taxas e impostos, o juro real líquido na renda fixa talvez não chegue a 1% ao ano. Isso tem implicações incríveis na forma como as pessoas alocam o seu dinheiro. Por isso achamos que a Bolsa pode atingir os 125 mil pontos”, afirmou José Rocha, um dos gestores responsáveis pelo fundo Dahlia Total Return.

 

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