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Petrobras e eleições: o que está em jogo para a companhia após o 2º turno?

Propostas dos candidatos podem impactar positivamente - ou negativamente - as ações da companhia

Plataforma - petróleo - 1
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Na segunda-feira pós-eleições, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) chegaram a subir 10% depois que os resultados mostraram o candidato Jair Bolsonaro (PSL) avançando para o segundo turno com 46,03% dos votos e Fernando Haddad (PT) com 29,28%. 

Apesar dessa alta, que reflete um cenário otimista para a companhia, a equipe de Research da XP Investimentos afirma que a empresa oferece um risco-retorno equilibrado e que pode seguir dois caminhos diferentes dependendo do próximo presidente. Em um desfecho "pró-mercado", a Petrobras teria um espaço adicional para reduzir seu desconto a petroleiras globais. Por outro lado, em um cenário adverso, ou seja, em que a empresa não possa mais sustentar sua atual política de preços a partir de 2019, os analistas estimam um "risco quantificável".

Pensando nos resultados do segundo turno, a XP se posicionou sobre as propostas de cada candidato para a estatal. Confira:

Jar Bolsonaro (PSL)

Proposta 1: A Petrobras seguirá os mercados internacionais ao definir os preços domésticos do combustível, mas a volatilidade de curto prazo deverá ser mitigada por meio de mecanismos de hedge.

Apesar da XP concordar que as mudanças diárias não sejam necessárias, destacam que há potenciais complexidades políticas de realizar aumentos de preços em um espaço maior de tempo e a menor previsibilidade dos resultados da companhia com o uso de hedges. Os analistas destacam que uma manutenção do programa de subsídio ao diesel, considerada pelo candidato do PSL, seria positiva para a companhia. 

Proposta 2: Aumentar a competitividade no setor de petróleo e gás e fazer com que a Petrobras venda uma parcela significativa de sua capacidade de refino, bem como outros negócios nos quais detém poder de mercado.

A proposta é vista com bons olhos pela XP, uma vez que a Petrobras não arcaria sozinha com o ônus de fixar apenas os preços domésticos do combustível, reduzindo os riscos de interferência do governo. Além disso, os desinvestimentos poderiam colaborar para a redução do endividamento da empresa.

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Por outro lado, a equipe de análise destaca que há um espaço limitado para reduzir os preços dos combustíveis por meio de uma maior concorrência no setor de refino. Até porque, mesmo se a Petrobras focar somente na produção e na exploração de petróleo, ela continuará dependente da variação cambial, já que a maioria de seus custos acompanham o dólar e preços da commodity. 

"Em nossa opinião, a melhor solução para os preços dos combustíveis seria abordar a tributação no nível estadual (ICMS) e a criação de colchões tributários que compensem a volatilidade da commodity e do câmbio", escrevem os analistas.

Proposta 4: Reduzir os requisitos de conteúdo local para aumentar a eficiência e a produtividade.

"Concordamos com a proposta na medida em que a contratação de empresas internacionais para a execução de investimentos no lugar de reservar uma participação para a indústria nacional (segundo a política de conteúdo local) permitiria à Petrobras acelerar o desenvolvimento do pré-sal com menores custos", escrevem os analistas.

Fernando Haddad (PT)

Proposta 1: Reorientar a política de preços da Petrobras para o modelo adotado entre 2003-10, em que preços foram calculados em função do ambiente externo e dos custos internos de produção (com o mercado aberto às importações). Haddad também é contra a manipulação dos preços dos combustíveis para conter as pressões inflacionárias e pretende expandir a capacidade de refino da Petrobras para garantir o suprimento interno.

Com relação à proposta, a XP é contra a reversão do modelo 2003-10 de ajustes de preços esporádicos e imprevisíveis por "aumentarem as incertezas da geração de fluxo de caixa livre da Petrobras". De acordo com os analistas, como a estatal é incapaz de abastecer totalmente o mercado interno, ela será a única importadora se não praticar preços um pouco acima das referências internacionais.

Embora o aumento da capacidade de refino pudesse mitigar potenciais impactos negativos nas margens de refino por importação, a XP afirma que a Petrobras não possui o melhor histórico no desenvolvimento eficiente de refinarias e, mesmo se a companhia se tornasse autossuficiente em derivativos, uma parcela relevante de seus custos continua flutuando em conjunto com os preços do dólar e do petróleo - podendo implicar em riscos para a geração de caixa.

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Proposta 2: Interromper a privatização de empresas estatais, consideradas essenciais no projeto do candidato de uma nação soberana que induz o desenvolvimento econômico e social. O programa prevê ainda, a recuperação dos recursos do pré-sal para a Petrobras, a preservação do modelo de partilha de produção e a capacidade de investimento das estatais.

Para a XP, a Petrobras não deve abandonar totalmente a venda de ativos, principalmente por conta do ponto  de vista de alocação de capital, mas deve concentrar os processos de privatização em ativos não estratégicos e proceder apenas se a transação gerar valor para a companhia. 

"O fato da Petrobras fazer parte ou não de um consórcio que desenvolve blocos do pré-sal não faz diferença do ponto de vista de arrecadação e, portanto, de soberania nacional. Na verdade, a maior concorrência de empresas internacionais pode levar a ofertas mais benéficas para o governo em leilões, com maior arrecadação para a União no longo prazo", escrevem os analistas.

Proposta 3: A Petrobras será um agente estratégico na economia brasileira, atuando como uma empresa de petróleo verticalmente integrada e presente nos setores de energia elétrica, biocombustíveis e petroquímicos. A capacidade de refino da empresa será expandida para garantir o fornecimento interno.

A equipe de Research da XP discorda da proposta e acredita que seja mais eficiente para a Petrobras focar em seus principais negócios, deixando para os participantes privados setores como biocombustíveis e geração de energia. Isso não significa, porém, que a estatal não possa ajudar no desenvolvimento de outras indústrias, como é o caso da construção de infraestrutura, para explorar a produção de gás natural. 

Em relação ao setor de etanol, os analistas afirmam que uma maneira de desenvolver a indústria é manter a atual política de preços da Petrobras, proporcionando maior visibilidade para as usinas de açúcar e etanol investirem e expandirem a capacidade e permitindo que os consumidores decidam se é mais vantajoso abastecer com etanol ou gasolina.

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