BB Investimentos classifica Embraer como outperform, apesar dos resultados

Dados surpreenderam analistas, que mantiveram classificação “acima da média do mercado”

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SÃO PAULO – A equipe de análise da BB Investimentos optou por manter a recomendação das ações da Embraer (EMBR3) como outperform (performance acima da média do mercado) e aumentar o preço-alvo de R$ 33,80 para R$ 35,50 por ação, o que representa um upside de 33,56% com base no fechamento de 26 de outubro.

“Esperávamos prejuízo líquido para o terceiro trimestre já que a empresa, tradicionalmente, sofre impactos significativos no imposto diferido devido à variação cambial. No entanto, ele (o resultado) nos surpreendeu e o aumento intenso nos estoques, por sua vez, colocou uma pressão adicional sobre a rentabilidade da empresa e sua margem líquida”, pontuam os analistas.

Para eles, os resultados da Embraer no terceiro trimestre foram fracos. Por um lado, a empresa encerrou o trimestre mantendo sua reserva em um alto nível, chegando a US$ 22,8 bilhões, pelo outro, as margens operacionais foram espremidas como resultado dos custos acrescidos para alguns contratos no segmento de segurança e defesa, que foram negativamente impactados pela taxa de câmbio. Além disso, o câmbio também exerceu um forte empurrão sobre a SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas na sigla em inglês), acarretando num aumento de 25% quando considerado o mesmo período de 2014.

O número positivo de entregas de aeronaves, que foi de 50% acima do mesmo período do ano passado, foi o destaque no período. “Acreditamos que, apesar de o resultado ficar um pouco atrás do esperado no terceiro trimestre, o último trimestre do ano seja mais forte sob a perspectiva de entregas, e, portanto, esperamos que o resultado operacional no próximo período possa compensar o efeito cambial sobre as despesas SG&A”, explicam. Com isso, a receita líquida apresentou um forte crescimento, chegando a 62% se comparado ao mesmo período do ano passado. Além disso, a desvalorização do real beneficiou o desempenho, considerando-se que cerca de 90% das receitas da empresa vêm do exterior.

Enquanto isso, os estoques aumentaram 123,6% frente ao mesmo período de 2014 sendo esse acúmulo destinado às entregas do quarto trimestre deste ano. “Tais dados reforçam nossas expectativas de que a empresa irá atender às suas diretrizes anuais estipuladas no início deste ano. Além disso, acreditamos que a empresa pode ser beneficiada pelo aumento da demanda no mercado de aviação regional nos países desenvolvidos, principalmente nos EUA, carteira robusta de pedidos firmes, o que corrobora com os seus produtos sendo bem aceitos pelo mercado de aviação, principalmente a nova geração de E-Jets E2 e ampliação dos produtos de segurança e defesa, que cada vez mais têm vindo a ganhar quota de mercado, em especial entre os países emergentes.

Por outro lado, por conta de mudanças no câmbio, o lucro líquido e a margem líquida foram negativamente impactados resultando em aumento de despesas de Imposto de Renda sobre os itens não monetários.

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“Apontamos então que os principais riscos que podem acometer a empresa são: problemas na execução de negócios, considerando-se que a produção de aeronaves requer uma série de especificações e nível de capacidade técnica e operacional, fornecimento de materiais e peças, e entrega no prazo, abrandamento econômico, dado que a aviação comercial e de negócios estão intimamente ligados ao desenvolvimento e crescimento econômico dos países e aumento da concorrência por parte dos principais concorrentes da empresa, já que essas são grandes empresas internacionais e têm a capacidade de fazer grandes investimentos em desenvolvimento de produtos”, concluem.