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Gestor de fortunas aponta setores promissores e diz que mercado parece obcecado com eleições

Na opinião de Claudio Mifano, diretor da área de gestão de patrimônio da Claritas Investimentos, o investimento em ações deve ser olhado atentamente e faz muito sentido em uma carteira bem diversificada

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(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO – A Bolsa de Valores mostrou recuperação desde março deste ano e já subiu 25% desde então. Um dos principais drivers para a valorização do mercado acionário brasileiro tem sido o ambiente político e as expectativas sobre as eleições presidenciais. Mas ainda que o preço das ações tenha subido, muitos questionam os reais fundamentos da economia brasileira e a aversão ao risco ainda é grande, principalmente para os pequenos investidores. Com muita volatilidade e pouca certeza sobre o futuro, alguns preferem aproveitar o juro alto para aplicar em renda fixa.

Na opinião de Claudio Mifano, diretor da área de gestão de patrimônio da Claritas Investimentos, o investimento em ações deve ser olhado atentamente e faz  sentido em uma carteira bem diversificada. Para ele, alguns setores ainda podem ter um bom desempenho. “Ninguém tem muita dúvida de que o setor de infraestrutura tem muita oportunidade de crescimento. Independentemente do partido que estiver no governo, este setor tem muito espaço para crescer”, destacou, em entrevista ao InfoMoney.

Ele também lembra que o setor de educação deve continuar sendo uma boa aposta, já que tanto a situação, quanto a oposição, se eleita, continuará dando estímulos para as empresas que atuam neste setor. “São dois setores [infraestrutura e educação] menos suscetíveis à essa questão eleitoral”, aponta o executivo.

Para Mifano, o setor bancário também tem boas opções de investimento, desde que o investidor saiba fazer o stock picking (seleção rigorosa, baseada na análise fundamentalista, das empresas). “Tem alguns bancos que nos últimos anos se preparam para um cenário mais difícil e agora estão em uma situação melhor”, afirma.

Outro setor que tem empresas que podem trazer bons retornos, na opinião do executivo, é o imobiliário. Ainda que, no geral, o setor tenha enfrentado desaceleração, existem companhias que podem surpreender. “Tem empresas não tão grandes, que não mais ágeis, em relação a mudanças de cenário. Em momentos mais difíceis, qualidade das empresas acaba se sobressaindo”, disse.

O principal recado, na opinião dele, é que o investidor faça um bom trabalho de seleção de ativos e se atente aos fundamentos das companhias que farão parte do seu portfólio. “Uma alocação estratégica [em ações] e com visão de longo prazo faz sentido. Precisa tomar cuidado para não exagerar e alocar uma parte muito grande em renda variável. Neste caso, em uma eventual baixa, pode ser necessário realizar o prejuízo se você não tiver recursos em aplicações conservadoras e líquidas” , afirmou.

Sinal amarelo ou vermelho
Já setores como varejo e aqueles que podem sofrer com alguma intervenção governamental devem ser analisados com muito cuidado. “Varejo está em um momento mais difícil, com fôlego menor de crescimento. O endividamento da população aumentou e a taxa de juros também, então é difícil ficar muito otimista”, destaca Mifano. “Já as empresas estatais e de setores mais regulados vão continuar oscilando à mercê das pesquisas”, destaca.

A influência das eleições nos investimentos
O diretor da Claritas destaca que as eleições continuam sendo um dos principais fatores de estresse do mercado este ano e que o investidor deve ficar atento com a influência do pleito sobre suas posições. “O mercado parece até obcecado pelas eleições. Desde 2002 [quando o presidente Lula foi eleito pela primeira vez] não tínhamos uma influência tão grande das eleições no mercado financeiro”, destaca.

Ele aponta que o cenário econômico traz muitos desafios para os próximos anos, independentemente de quem ganhe as eleições. “A economia está cada vez mais frágil, vemos diversas revisões de crescimento para baixo. É um ambiente bastante desafiador e o próximo governo vai precisar colocar a casa em ordem”, afirmou.

Ainda assim, o mercado tem se mostrado mais animado quando as pesquisas mostram alta dos candidatos da oposição. “A oposição tem o benefício da dúvida, mais do que o governo atual”, aponta. Mas para ele, ainda é muito cedo para apontar grandes favoritos para vencer as eleições. “Não dá para ter muita convicção, por isso é um momento de cautela no mercado”, conclui.

 

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