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Empresas com boa governança rendem até 8.000% em 10 anos, 30 vezes o Ibovespa

Os papéis com maior retorno foram do Banese (BGIP4), com 7.968,89%, seguidos pelas ações da Hering (LHER3), que valorizaram 7.097,21%

penny stocks
(Getty Images)

SÃO PAULO - As ações que melhor remuneram seus acionistas no longo prazo são as de companhias que possuem boas práticas da governança corporativa e se concentram na perpetuidade dos negócios. Um levantamento realizado pelo consultor de investimentos da Compliance, Clodoir Vieira, e divulgado com exclusividade ao InfoMoney, mostra que o retorno aos investidores de empresas que adotam estas práticas foi de quase 8.000% em 10 anos (encerrados em 31 de agosto de 2013), mais de 30 vezes o retorno do Ibovespa, de 262,25%.

Os papéis com maior retorno foram do Banese (BGIP4), com 7.968,89%, seguidos pelas ações da Hering (HGTX3), que valorizaram 7.097,21%. As ações da Iochp-Maxion (MYPK3) vem a seguir, com alta de 6.561,06%. Excelsior, Schulz, Hotéis Othon, CCR SA, Coelba e Alpargatas completam a lista das que mais valorizaram. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA acumulou alta de 70,84%

“De modo geral, mesmo sendo de segunda linha, essas ações foram valorizadas por causa do reconhecimento de seus planos de expansão e praticamente todas com excelente estrutura profissional”, diz Vieira. Com exceção de Hering e CCR, nenhuma das ações está no Ibovespa. Veja abaixo a lista completa:

 

 

Empresa * Código    Retorno em 10 anos (%)
Banese  BGIP4 7.968,89
Cia Hering  HGTX3 7.097,21
Iochp-Maxion  MYPK3 6.561,06
Excelsior  BAUH4 6.513,33
Schulz  SHUL4 6.056,12
Hoteis Othon   HOOT4 4.600,00
CCR SA  CCRO3 4.453,00
Coelba  CEEB3 2.928,06
Alpargatas  ALPA4 2.852,98
Dimed   PNVL3 2.642,52

*A pesquisa computou apenas as companhias com ações que movimentaram mais de R$ 1,2 milhão em negócios na Bolsa nos últimos seis meses.  

O sócio-diretor da Strategos, Telmo Schoeler, afirma que melhorias na governança corporativa, reestruturações de comando e operações são fatores comuns na gestão dessas companhias e lembra que o valor de uma ação resulta de variáveis mercadológicas e outros fatores, como emoção.

“Poucos são os que percebem a verdadeira extensão do tema e as suas bases de sustentação”, afirma. “Nas empresas de capital aberto o valor está retratado pelo preço das ações no mercado, o que retrata a percepção do sentimento qualitativo. Já nas de capital fechado, isso só é realmente mensurado no momento de venda, quando surge uma consistência conceitual, o que não é sempre praticada pelos controladores”, continua.

Segundo Vieira, outro ponto comum entre essas empresas é a gestão de pessoas. Para a CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos, Susana Falchi, as atividades envolvidas no gerenciamento de riscos corporativos devem contribuir para a organização e atender seus objetivos estratégicos. “A conduta das pessoas que representam uma organização pode ser uma referência para o sucesso ou fracasso de um negócio. Poucas empresas expressam preocupação com o conhecimento do perfil comportamental de seus executivos e de suas lideranças”, diz.

 

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