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Ainda há boas opções na bolsa? Veja para quais setores olhar no 2º semestre

Em meio à queda de mais de 20% do Ibovespa na primeira metade do ano, analistas apontam boas opções para os setores indústrial e de transporte

caminho para o sucesso
(Getty Images)

SÃO PAULO - O primeiro semestre passou, deixando rastros pelo caminho. O Ibovespa encerrou o período com queda de 22,14%. E o resto do ano não deve ser dos mais positivos para a Bovespa, em meio às perspectivas não muito promissoras para a economia brasileira, a desaceleração da atividade chinesa e a expectativa de que o Federal Reserve diminua o ritmo de estímulos à economia norte-americana.

Neste cenário, as dúvidas sobre em que ações investir no segundo semestre aumentam a cada dia, uma vez que poucos setores parecem estar a salvo do ambiente mais negativo para o Brasil. Mas nem tudo está perdido: alguns setores apresentam boa oportunidade de investimento, mesmo em meio ao cenário ruim que se desenha para o segundo semestre deste ano, apontam analistas.

Seguindo uma análise mais conservadora, a equipe de análise da Votorantim Corretora, vê oportunidades nos setores de indústria e transportes, que estão de "mãos dadas" com os incentivos do governo. Para as ações de consumo, apontam os analistas, há apenas algumas oportunidades, uma vez que há crescentes incertezas relacionadas às perspectivas de emprego, financiamento do consumo e demanda interna.

Desta forma, o Votorantim possui recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para os setores de indústria, observando que a recuperação do setor reflete as medidas governamentais. “As expectativas de crescimento podem intensificar ao longo do ano, após um fraco desempenho em 2012, especialmente no setor de veículos pesados, podendo resultar em melhoria de lucratividade”, ressaltam, destacando a preferência pelas ações da Randon (RAPT4) e da Autometal (AUTM3).

Alta do dólar beneficia algumas empresas
Os analistas do BTG Pactual, Renato Mimica, Felipe Nüssli e Samuel Alves, destacam que, apesar do cenário de turbulência, a projeção é de que haja melhora do desempenho das ações do setor industrial nos próximos trimestres, somado aos benefícios inerentes da desvalorização do real no longo prazo e os menores riscos regulatórios.

Neste cenário, a Embraer (EMBR3), fabricante de aviões, aparece como uma das "vencedoras", seguida por empresas como a Marcopolo (POMO4), Randon e Iochpe-Maxion (MYPK3), em meio à maior rentabilidade com as exportações e os maiores ganhos com conversão da moeda nas operações internacionais. Vale mencionar que a Embraer foi a ação do Ibovespa que mais subiu no 1º semestre, com valorização de 43% no período.

Além disso, a produção de veículos pesados no Brasil deve continuar surpreendendo, o que pode, por sua vez, diminuir a alavancagem. Neste caso, a Iochpe é a companhia que apresenta as melhores perspectivas. 

Transporte: volatilidade não tira atratividade
O setor de logística também aparece como um dos preferidos do Votorantim, com destaque para as concessões rodoviárias, dada a alta geração de caixa e oportunidades de investimentos. Contudo, em meio à intervenção política, espera-se alguma volatilidade no curto prazo. Neste cenário, os favoritos para este ano são as ações da CCR (CCRO3), JSL (JSLG3), Ecorodovias (ECOR3) e Tegma (TGMA3).

Enquanto isso, o BTG, apesar de avaliar que o controle de preços sobre as concessões possam, sem dúvida, adicionar incertezas regulatórias, os analistas acreditam que a CCR e a Santos Brasil (SBTP11) estão com os papéis descontados e devem se beneficiar de um robusto avanço das concessões. 

Boas escolhas para o setor de consumo
Já com relação ao setor de saúde, os analistas da Votorantim avaliam que ele apresenta cenário positivo de crescimento enquanto o segmento de bens de consumo e varejo, com a recente queda do setor, possui múltiplos mais acessíveis, porém não totalmente atrativos.

“O consumo deve continuar como pilar de crescimento do Brasil, podendo se beneficiar da política de incentivos do governo no segundo semestre. Por enquanto, a visão é de que as vendas mais resilientes ou companhias possam tirar a vantagem de um cenário potencialmente promissor, mas ainda desafiador”, destaca a equipe de análise da Votorantim, dando preferência por nomes como a Arezzo (ARZZ3), Lojas Americanas (LAME4), Guararapes (GUAR3) e Lojas Renner (LREN3).

Os analistas do BTG Pactual também veem dias mais difíceis para as companhias do setor, destacando a preferência, além das ações da Lojas Americanas e da Arezzo, pelos papéis do Pão de Açúcar (PCAR4), Brasil Pharma (BPHA3) e IMC (IMCH3), apesar de acreditar que estas ações também podem sofrer em um cenário de "debandada" da bolsa. 

Em comum, 4 destas 5 companhias não apresentam dependência do crédito e o crescimento das expectativas de lucro por ação são pouco intensificadas em um cenário macroeconômico que afetem as varejistas, caso de desemprego, renda disponível e crédito. Em comum, destacam os analistas, a percepção de baixo risco, crescimento do ROIC (retorno sobre o capital investido) e o crescimento superior do lucro por ação reforça a perspectiva positiva para estes papéis.

 

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