Ações: quais empresas sofrem mais com a elevação da taxa de juros?

Os juros altos provocam a desaceleração dos preços, mas também causam desaquecimento econômico, dizem os especialistas

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SÃO PAULO – Os analistas do mercado financeiro elevaram a previsão de alta da Selic (taxa básica de juro) para este ano. De acordo com o Relatório Focus desta segunda-feira (11), elaborado Banco Central (BC), a taxa básica de juro deve terminar 2011 a 12,75% ao ano, 0,25 ponto percentual acima das estimativas anteriores.

O fato é que a Selic é um importante instrumento do Governo para conter o avanço da inflação. Entretanto, ao mesmo tempo que o juros altos provocam a desaceleração dos preços, eles também causam um desaquecimento econômico e podem prejudicar as empresas e suas ações na bolsa de valores.

De acordo com o analista da Futura Investimentos, Adriano Moreno, o aumento das taxas de juros prejudica a maioria das companhias. “Todo mundo perde com a alta da Selic, pois o encarecimento dos juros diminui a taxa de crescimento da economia”, afirma o analista.

O pensamento é lógico: com a demanda contida, as empresas tendem a produzir menos e também a faturar menos. “Assim, as ações podem ser impactadas de forma negativa”, afirma Moreno.

Encarecimento do crédito
O operador da Um Investimentos, Eduardo Oliveira, concorda e ressalta que existem setores que podem sofrer mais do que outros, por conta do encarecimento do crédito. “De maneira geral, o setor de consumo e de construção civil são os mais afetados. Isto porque, com o crédito mais caro, fica mais difícil fazer financiamento e o faturamento das empresas pode cair”, afirma Oliveira.

Além da maior dificuldade em tomar empréstimo, as empresas também podem se prejudicar com o seu próprio financiamento. “O impacto pode ser maior nas empresas que precisam de mais financiamento e que operam mais alavancadas (com ajuda de empréstimos)”, afirma o analista da Socopa, Osmar Camilo.

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Segundo ele, as empresas do setor de papel e celulose costumam precisar de mais financiamento. “Este setor tem amargado um período ruim por conta do seu alto endividamento. A Fibria (empresa que nasceu da fusão entre a Aracruz e a Votorantim Papel e Celulose), por exemplo, está tentando fazer alguns desinvestimentos para trazer a relação dívida liquida Ebitda* (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) para baixo de 3,5.

Segundo Camilo, quando a relação da dívida líquida com o Ebitda está abaixo de 2, normalmente, a dívida da empresa está em um patamar normal. Quando está acima disso, a empresa pode estar excessivamente endividada. “Mas isso varia de setor para setor”, diz o analista.

Bancos sofrem menos?
Segundo os especialistas, até mesmo o setor bancário acaba sofrendo com o aumento da taxa básica de juros. “O aumento das taxas de juros eleva a inadimplência e também diminui as carteiras de crédito”, afirma Moreno.

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Entretanto, os especialistas ressaltam que os bancos têm uma vantagem: eles podem aumentar o spread (diferença entre o que os bancos pagam para captar recursos e cobram nos empréstimos) e compensar eventuais diminuições da carteira de crédito.

*O Ebitda representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de recursos apenas em suas atividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip