Ações fora do radar nos EUA impulsionam ganhos dos melhores fundos de ações em agosto

Em fundos multimercados, rentabilidade do mês passado foi puxada por posições vendidas em Bolsas globais

Bruna Furlani

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Embora o mês de agosto tenha sido de correção nas Bolsas americanas, papéis fora do radar foram capazes de driblar a maré negativa e trazer retornos positivos para fundos de ações posicionados nesses nomes.

Foi o caso do MS Global Brands Dólar Adv FIA, que registrou ganhos de 4,42% em agosto e liderou os retornos de fundos de ações no mês passado.

Nomes menos conhecidos voltados para o setor de saúde e biotecnologia, como a Danaher Corp (DHER34) e a Thermo Fisher Scientific (TMOS34), além da ADP (ADPR34), que é destaque no processamento de dados, foram algumas das maiores contribuições para o fundo em agosto, segundo a lâmina do produto.

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Outros exemplos fora do radar, como as ações da Eaton (E1TN34) e Eli Lilly and Company (LILY34), também impulsionaram os resultados de fundos como o Western Asset FIA BDR Nível I, que terminou agosto com retorno de 3,20%.

Ao falar sobre a Eaton, Maurício Lima, superintendente de produtos da Western Asset, explica que o destaque é que a companhia está bem posicionada para se beneficiar dos incentivos fiscais e da melhoria da infraestrutura durante o processo de transição energética.

“Ela possui uma participação crítica no fornecimento de equipamentos e peças na trajetória de eletrificação da economia global”, destaca o especialista.

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Um dos motivos para a empresa ter avançado neste mês está no forte resultado apresentado pela companhia no segundo trimestre deste ano. Na ocasião, a Eaton reportou um lucro por ação de US$ 2,21, número recorde para a empresa e que superou com folga os US$ 2,11 esperados pelo consenso de mercado.

Outro detalhe está no guidance fornecido pela companhia, que animou investidores, conta Lima. A empresa disse esperar um crescimento orgânico entre 10% e 12% para este ano e que o lucro por ação fique entre US$ 8,65 e US$ 8,85, valores superiores à expectativa anterior, que giravam entre US$ 8,30 e US$ 8,50.

Embora ainda veja boas perspectivas para a Eaton , o profissional diz que aproveitou a alta recente para diminuir marginalmente a posição com o objetivo de equilibrar a carteira.

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Já a Eli foi beneficiada pela adoção de um tratamento que serve tanto para o diabetes, quanto para a obesidade, o que impulsionou uma alta de mais de 28% para as ações da empresa apenas em agosto. “Os relatórios indicaram que a adoção dos medicamentos veio com resultados positivos”, observa Lima.

Fundos de ações com melhor retorno em agosto  Rentabilidade em agosto (%)
Ms Global Brands Dolar Adv Fc FIA Ie 4,42
Dyn Global Dolar Advisory Fc FIA Ie 4,22
Trigono Verbier Fc FIA 3,32
Bradesco Fc de FIA Bdr Nivel I Plus 3,30
Western Asset FIA Bdr Nivel I 3,20

Fonte: TC/Economatica

Início de posição em Target

Além de diminuir algumas alocações, a casa aproveitou o mês passado para iniciar uma posição pequena em Target (TGTB34). A razão, diz, é que a companhia está fazendo um turnaround (reestruturação do negócio) para melhorar a sua gestão de margem e que as perspectivas são positivas no médio e longo prazos.

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Apesar de a companhia ter sofrido bastante neste ano, com uma queda de 20% das ações, Lima defende que o mercado deve reprecificar os ativos com as mudanças propostas pelo corpo executivo da empresa daqui para frente.

Embora as ações façam parte do setor de varejo, que poderia ser negativamente afetado por uma eventual recessão nos Estados Unidos, o especialista da Western não descarta uma desaceleração, mas defende que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem espaço para começar um ciclo de afrouxamento monetário, caso seja necessário, o que reduziria a chance de um hard landing (pouso mais duro) da economia.

“Se as taxas estivessem em zero, o Fed não teria margem de manobra. Agora, acredito que ele precisa de tempo. Caso note que a atividade está desacelerando mais do que gostaria, ele vai ter espaço para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário”, avalia o especialista.

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Nesse sentido, ele pondera que, se houver uma nova alta, seria apenas um “ajuste finíssimo” nos juros e não uma elevação muito significativa.

Isabella Nunes, responsável pelo relacionamento do J.P. Morgan Asset Management com investidores no Brasil, concorda e afirma que a autoridade monetária americana está perto de atingir o pico das taxas de juros.

“Tem mais espaço para cair do que para subir agora. Porém, se tiver uma queda, seria só no ano que vem”, observa a especialista.

Vendidos em Bolsas globais

Um dos fundos da casa, o Global Macro Opp FI Mult, encerrou agosto na liderança entre os retornos de multimercados, com ganhos de 7,37%.

Fundos multimercados com melhor retorno em agosto Rentabilidade em agosto (%)
Jpmorgan do Gl Macro Opp FI Mult Ie 7,37
Vinci Internacional Fc FI Mult Ie 4,54
Pimco Income Dolar Fc FI Mult Ie 3,71
Brad Lyxor Bw Core Glob Macro FI Mult Ie 3,50
Carteira Itau Asset I de Inv Fc Mult Ie 2,71

Fonte: TC/Economatica

Embora a inflação americana esteja recuando, Nunes avalia que a elevação dos juros fará o País entrar num ciclo mais restritivo e de desaceleração, o que poderá ser traduzido em um mercado mais volátil.

Por isso, o fundo está com uma alocação mais tática vendida (que se beneficia da queda) nas ações americanas e europeias (com exceção do Reino Unido), com destaque para papéis de tecnologia.

A ênfase nesse setor tem como foco a correção vista no último mês, após uma forte alta ao longo dos primeiros meses do ano, que sustentou uma subida mais significativa das Bolsas americanas.

“A carteira está mais defensiva para um cenário de maior volatilidade. Não estamos tomando tanto risco, diferentemente do início do ano”, diz a especialista.

Outra casa que também teve um desempenho positivo foi a Itaú Asset com o fundo Carteira Itaú Asset I. Ainda que o mês de agosto tenha sido mais desafiador, Thiago Lemos Mateus, chefe de soluções Brasil da gestora, afirma que os mercados trouxeram algumas oportunidades, com ativos a preços atrativos, especialmente no setor de tecnologia na Bolsa americana e nos índices de commodities, que se beneficiaram da alta do petróleo.