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Ações de commodities voltaram ao radar dos investidores; é hora de comprar?

Com a melhora no cenário internacional, o setor de commodities, que sofreu muito no ano passado, começa a dar sinais de que pode trazer melhores retornos este ano

SÃO PAULO – A solução, ainda que momentânea, para o abismo fiscal nos Estados Unidos e os sinais de recuperação da economia chinesa trouxeram outro ânimo aos investidores no início de 2013. Com a melhora no cenário internacional, o setor de commodities, que sofreu muito no ano passado, começa a dar sinais de que pode trazer melhores retornos este ano.

No primeiro pregão do ano, após o congresso norte-americano entrar em um acordo para evitar o abismo fiscal nos EUA, as ações de empresas ligadas a commodities no Brasil registraram alta expressiva. Nos dias seguintes, o movimento foi menos intenso e houve desvalorização de alguns papéis, mas o saldo da semana passada ficou positivo para a maioria das ações, conforme a tabela a seguir:

Ações de commodities
EmpresaCódigo da açãoDia 2/1 1º semana de janeiro
*InfoMoney
ValeVALE34,30%

0,59%

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ValeVALE54,23% 

0,73%

CSNCSNA36,61%  3,37%
GerdauGGBR4 5,24% 5,47%
Gerdau MetalúrgicaGOAU4   3,93%  3,89%
UsiminasUSIM5  3,52% -2,03%
UsiminasUSIM3  7,02% 3,07%
PetrobrasPETR3 1,48% 6,29%
PetrobrasPETR4  0,87% 4,92%
MMXMMXM3 1,57% 

0,90%

OGXOGXP3 8,68% 14,16%
HRT PetróleoHRTP3 5,5% 15,01%
FibriaFIBR3 7,22% 

3,41%

SuzanoSUZB5  5,41% 1,71%
KlabinKLBN4  0,08% -1,33%

Para o estrategista-chefe da Futura Invest, Adriano Moreno, faz sentido associar esta melhora do cenário internacional com uma perspectiva da alta para o setor de commodities. No entanto, ele ainda acha que é cedo para falar que as matérias-primas vão ter um ano de valorização e puxar consigo o preço das ações. “De fato, o quadro macroeconômico mundial está mais simples, parece que o pior já passou. Mas precisamos de mais tempo para afirmar que esse quadro de recuperação das commodities é algo duradouro e realmente veio para ficar”, disse.

O gestor da J Malucelli Investimentos, Marc Sauerman, também é cauteloso em relação a uma grande melhora das ações relacionadas ao setor de commodities. Isso porque, na opinião dele, este bom desempenho ainda está muito ligado a uma recuperação sustentável da economia chinesa, algo que ainda não pode ser confirmado com toda certeza. “A Europa ainda tem seus problemas e vai demorar ainda para melhorar. Os EUA, mesmo com uma economia melhor, não deve ter um crescimento maior do que 2% e este ano. Então, se a china não desacelerar, o preço das commodities deve ficar mais forte”, acredita.

Já o economista e professor de finanças Richard Rytenband é mais otimista e acredita que as commodities devem voltar a ter uma boa performance este ano. Isto porque ele enxerga que a economia chinesa já vem mostrando, há algum tempo, sinais de melhora, e a economia norte-americana também está mais saudável do que há alguns anos. “Se olharmos qualquer indicador antecedente na China, que antecipa a economia, veremos que a economia de lá mostra sinais de recuperação”, afirma. “E mesmo que a Europa ainda tenha muitos problemas, uma recuperação da economia norte-americana deve puxar a economia da zona do euro”, completa.

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Minério de ferro atinge maior valor em 15 meses
Depois de atingir a mínima em 3 anos no dia 5 de setembro de 2012, o preço do minério de ferro entrou em trajetória de alta e já avançou 72,8%. Na semana passada, o minério de ferro subiu 3,4% para US$ 149,80 por tonelada no mercado spot da China, o maior valor em quase 15 meses, desde 18 de outubro de 2011 (US$ 150,3 por tonelada).

A notícia é positiva para as ações do setor, como Vale (VALE3, VALE5) e MMX (MMXM3), mas a equipe de análise da XP Investimentos acredita que o minério de ferro já tenha corrigido a distorção ocorrida em setembro. “Estudiosos no setor acreditam que a cotação da commoditie se estabilize entre US$120/ton e US$ 130/ton. A própria Vale, em sua teleconferência de resultado do 3T12, disse trabalhar com esse preço. Logo seria razoável supor uma realização de curto prazo que poderia vir a pesar sobre as ações do setor”, disse a corretora, em relatório.

No entanto, a XP ressalta que o apetite por risco verificado neste início de ano deve atenuar este movimento de realização. “No setor, seguimos vendo Vale como atrativa e acreditamos que exista valor no case de MMX, especialmente após o aumento de capital recente”, diz o relatório.

A equipe econômica do banco Itaú aponta que o índice ICI (Índice de Commodities Itaú) de metais subiu 6,4% em dezembro em relação à média de novembro. Segundo os analistas, além dos fundamentos para cada metal, o setor foi impulsionado pelo otimismo com a demanda na China. “Ferro e estanho registraram os melhores desempenhos, com alta de 25,3% e 7,0%, respectivamente, na comparação com o fim de novembro (…) O total de minério de ferro estocado nos principais portos da China caiu para o menor nível em dois anos, o que corrobora o movimento do preço e sinaliza maior demanda”, ressaltam.

Eles também lembram que os preços nos contratos de minério abriram um grande desconto em relação aos preços no mercado à vista, que devem permanecer em níveis mais elevados. “Portanto esperamos que os fornecedores elevem os preços dos contratos assim que possível. Como acreditamos que parte do acréscimo vai se firmar, subimos nossa projeção para a cotação do minério de ferro em dezembro de 2013 para US$ 125 por tonelada”, dizem.

Açúcar, etanol e petróleo
A equipe do Itaú aponta que o preço do açúcar bruto tem ficado entre US$ 0,19 e US$ 0,20 por libra-peso desde meados de outubro. Já os preços médios em dezembro ficaram 18% abaixo do mesmo intervalo do ano anterior, refletindo o superávit global desde 2011 e a desvalorização da moeda brasileira (12,9%) no período.

“Esperamos que o superávit global perdure em 2013, puxado pela maior produção (por parte da China, México, Austrália e Brasil), que vai mais do que compensar o crescimento da demanda e a produção menor na Índia e na Tailândia. Portanto, os fundamentos sugerem que os preços do açúcar vão permanecer ao redor de US$ 0,19 por libra-peso ou cair mais”, apontam.

No caso do petróleo, os analistas do Itaú apontam que algumas fontes de tensão no Oriente Médio (ainda que haja a percepção de menor probabilidade de um enfrentamento entre Irã e Israel) contribuem para segurar o preço da commodity no mercado internacional. Mesmo assim, a equipe optou por reduzir a previsão para a cotação do barril do tipo Brent ao final de 2013, de US$ 115 para US$ 110, baseada em 3 fatores.

“Primeiramente, mesmo com a possibilidade de novo aumento do risco geopolítico, não há gatilho visível para um aumento da tensão no Oriente Médio (como havia com as eleições nos EUA em novembro). Em segundo lugar, os ajustes da demanda no 4T12 não alteram nossas expectativas de baixo crescimento da demanda, consistente com um desempenho ainda fraco da economia global em 2013. Por fim, após o efeito negativo de dois anos de gargalos no transporte sobre o preço do barril de petróleo do tipo WTI[1], os investimentos para melhorar a infra-estrutura petrolífera dos EUA devem render frutos em 2013”, concluem.