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Os fundos multimercado tiveram um primeiro semestre difícil, com fortes mudanças nos cenários internacional e local que atrapalharam as estratégias da maioria dos gestores. Nesse ambiente, apenas um punhado de fundos foi capaz de entregar retorno acima do benchmark da classe para os cotistas até aqui em 2026 – e, entre essas exceções, há fundos com resultados que chegam a 450% do CDI.
De uma amostra de 70 fundos multimercado com estratégia macro, apenas cinco apresentam ganhos acima do CDI no período de janeiro a junho deste ano, conforme levantamento feito pelo InfoMoney com dados da Economatica. Entre os gestores mais badalados e com maior patrimônio, apenas o Verde, de Luís Stuhlberger, se manteve acima do referencial no primeiro semestre. Em comum, os fundos que se saíram bem apresentam grandes posições no exterior, principalmente em ações americanas de tecnologia.
| Fundo | No ano (%) | 12 meses (%) | % CDI ano | % CDI 12 meses | Volatilidade (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| Adam Macro Master | 31,13 | 38,96 | 454,85 | 263,63 | 16,84 |
| BTG Clave Alpha Macro | 12,37 | 20,10 | 180,81 | 135,97 | 6,18 |
| Parcitas Hedge FIC | 10,44 | 27,72 | 152,49 | 187,56 | 11,67 |
| Safra Global Equities | 9,90 | 17,34 | 144,67 | 117,33 | 6,52 |
| Verde Master | 7,81 | 17,58 | 114,11 | 118,96 | 5,36 |
O destaque no ano continua sendo o Adam Macro. O fundo da Adam Capital segue otimista com a economia dos Estados Unidos e com o avanço da inteligência artificial, investindo em ações de empresas americanas de tecnologia e no dólar, que a gestora espera que siga se valorizando diante da maioria das moedas. Também aposta na queda da bolsa brasileira e do euro e em uma alta das taxas de juros no mercado local.
Outro fundo de destaque, o Clave Alpha, da BTG Asset, está levemente comprado em ações brasileiras do setor elétrico e de bancos, e apostando na queda dos juros de menor prazo no país. O fundo zerou no fim de junho as posições no exterior em empresas de memória e aumentou em Nvidia (NVDC34) e na queda do dólar e na alta do peso chileno, do rand da África do Sul, do, iene e do won sul-coreano. E comprado em cobre e prata.
No Verde, apesar das perdas com ações brasileiras em junho, o fundo aumentou os investimentos na Bolsa por meio de opções e manteve as posições em renda variável global. Em carta mensal, o fundo diz que segue aplicado em juro real nos Estados Unidos, em ouro e prata e em crédito no Brasil.
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Destaque no ano, o Parcitas Hedge, da Parcitas Investimentos, acumula ganho de 10,44% até junho e de 27,72% em 12 meses, que equivalem a 152,49% e 187,56% do CDI, respectivamente. “O fundo vem se destacando pois não é um multimercado que aplica só em taxa de juros, câmbio ou kit brasil, mas em várias classes de ativos aqui e no exterior”, diz Rodrigo Gatti, diretor de Relações com Investidores da Parcitas.
Segundo ele, a carteira ganhou bastante dinheiro com juros e, recentemente, está se beneficiando da alta das ações de tecnologia americanas. O setor, em especial as hyperscalers, representa um terço da carteira. Outras apostas estão no setor elétrico no Brasil, que respondem por outros 20%. A gestora também montou uma posição na seguradora americana Chub, um setor bastante estável e com boa rentabilidade em dividendos, observa Gatti. “Diversificamos bem carteira de ações globais, mas com aposta maior em IA”, explica.
Gatti diz que a Parcitas vê o investimento em IA como uma alocação de mais longo prazo, apesar de toda a instabilidade recente que mexeu com os papéis. “É uma tendência geracional, um mundo que não tem volta”, diz. O trabalho agora é estudar e tentar identificar quem serão os grandes vencedores e onde está a maior margem da cadeia de IA. “Hoje esse ganho está mais ligado a fabricantes de chips de memória, mas estamos constantemente olhando para quem será vencedor”, afirma.
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Também ajudaram na performance deste ano as ações de commodities, especialmente de petróleo e gás, afirma Gatti. “Já víamos no começo do ano Petrobras (PETR4) como um ativo de qualidade, com bastante desconto e bom carrego de dividendos”, explica. Apesar de avaliar que a situação no Oriente Médio trazia risco para o petróleo, a Parcitas decidiu se posicionar na petroleira porque, além dos bons dividendos, teria um hedge caso a tensão voltasse a escalar, o que acabou acontecendo. Além disso, a gestora já contava com a persistência da demanda para a commodity, mesmo com os preços mais baixos e o avanço da transição energética.
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O fundo também tem apostas em outros ativos ligados a commodities, com ganhos nos mercados futuros e de derivativos com matérias-primas ligadas ao mundo de IA, como urânio, alumínio e cobre.
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Hoje, a maior parte da carteira do fundo está aplicada fora do país, mas Gatti diz que se houver um cenário mais favorável aqui a gestora estará pronta para aproveitar. “Quando olhamos a bolsa brasileira, tem muita coisa já no preço em comparação a boas oportunidades que encontramos internacionalmente, mas prever eleição é difícil e acabamos usando a alocação lá fora para modular o risco político/econômico brasileiro”, diz. “Quando o cenário de Brasil estiver mais claro, fica mais fácil de tomar decisões de investimento um pouco mais assertivas, por isso, aproveitamos oportunidades lá fora para trazer ganhos para o cotista”, explica.