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5 lições do “mago de Omaha” para os pequenos investidores

As lições foram extraídas de trecho de carta aos acionistas ainda não divulgada pelo investidor

SÃO PAULO – Todo ano, o megainvestidor Warren Buffett divulga uma aguardada carta aos acionistas de sua companhia, a Berkshire Hathaway, onde aborda diversos temas da economia e de investimentos. A Fortune teve acesso a um trecho da próxima carta de Buffett, que ainda não foi divulgada publicamente. No texto, o “mago de Omaha”, como Buffett é conhecido, lista cinco lições para os investidores.

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Primeira Lição: Não é necessário ser um expert para alcançar retornos satisfatórios em seus investimentos

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“Se você não é um expert, deve reconhecer suas limitações e seguir um curso seguro que funcione relativamente bem”, escreve Buffett, considerado o maior investidor do mundo (sua fortuna é estimada em US$ 53,5 bilhões pela Forbes). Na sequência, ele ressalta: “Mantenha as coisas simples e não tente retornos altos demais”. Em relação às promessas de ganhos rápidos, o investidor recomenda que as pessoas respondam a elas com um rápido “não”.

Buffett narra a história de dois investimentos que fez que ilustram esse caso: um deles foi em uma fazenda e o outro em um edifício comercial. Em ambos os casos, ele pouco ou nada entendia sobre os negócios e foi atrás de ajuda de quem soubesse mais sobre essas modalidades de investimentos, para assim garantir o sucesso dos dois.

Segunda Lição: Foque na produtividade futura do ativo que você está pensando em investir

O Oráculo de Omaha explica que se você não se sente confortável em fazer uma estimativa grosseira de quais serão os ganhos futuros do investimento que considera, é melhor esquecê-lo e seguir em frente. “Ninguém possui a habilidade de calcular todas as possiblidades de um investimento. Mas a onisciência não é necessária; você só precisa entender as ações que toma”, aconselha.

Para cada um de seus dois investimentos citados, Buffett pensou em um retorno de cerca de 10%. No investimento da fazenda, ele destaca que esperava anos ruins, em que as safras não seriam tão boas, mas que, no entanto, haveria também anos excepcionalmente positivos que compensariam.

Terceira Lição: Se você foca nas perspectivas de mudanças de preço de uma possível compra, você está especulando

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O megainvestidor já começa essa lição com uma ressalva: não há nada errado em fazer isso. No entanto, ele se considera incapaz de especular com sucesso e se mantem cético em relação a pessoas que alegam sucesso constante fazendo isso. “Metade de todas as pessoas que jogarem cara ou coroa vencerão de cara; nenhum desses vencedores têm expectativas de lucro se continuarem no jogo. E o fato de que um determinado ativo se desvalorizou no passado recente não justifica sua compra”, afirma Buffett.

Mais uma vez, o exemplo dos dois investimentos de Buffett condiz com essa lição: “se ‘investidores’ freneticamente venderem e comprarem fazendas, nunca os ganhos ou a qualidade de suas colheitas vão aumentar. A única consequência para esse comportamento vai ser o decréscimo nos ganhos realizados por conta dos custos que incluem trocas de fazendas”, explica.

Quarta Lição: Com meus dois pequenos investimentos, eu me preocupei apenas com o que as propriedades produziriam e não com suas precificações diárias

“Jogos são vencidos por jogadores que focam no campo de jogo – não por aqueles cujos olhos estão vidrados no placar. Se você pode aproveitar seu sábado e domingo sem olhar preços de ações, tente fazer isso em dias de semana”, escreve o Oráculo de Omaha.

Ainda sobre o tema, o investidor ressalta que o excesso de informações pode ser não um benefício para o investidor, mas sim uma maldição, uma vez que muitos investidores se deixam levar pelo comportamento irracional de outros investidores. Buffett reescreve uma de suas frases mais famosas: “Um clima de medo é seu amigo na hora de investir; um mundo eufórico é seu inimigo”.

Quinta Lição: Ter opiniões macroeconômicas ou ouvir previsões de mercado de outras pessoas é uma perda de tempo

“De fato, são práticas perigosas pois podem nublar a visão em relação aos fatos que são realmente importantes”, afirma o megainvestidor. Buffett volta então aos seus dois investimentos usados como exemplos.  

A fazenda foi comprada em 1986 e o prédio em 1993. Como as taxas de juros ou os mercados de ações se comportaram nos anos imediatamente após (1987 e 1994) não eram fatores importantes para determinar o sucesso dos investimentos. “Não consigo me lembrar do que falavam os especialistas na época”, afirma.