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SÃO PAULO – O dólar segue em trajetória de alta e já encosta nos R$ 3,30. Comprar ações de empresas brasileiras que se beneficiam diretamente da alta do dólar é uma opção para lucrar com o cenário de valorização da moeda americana. Na Bovespa, existem companhias que têm parte importante de suas receitas em dólar e portanto devem ver os lucros engordarem devido ao fator câmbio. Entre as ações mais recomendadas pelos analistas estão os papéis da Suzano, BRF, Embraer e Fibria.
No mês de março, 11 corretoras recomendaram que seus clientes tivessem na carteira as ações preferenciais da Suzano (SUZB5). A maioria das justificativas se pautava justamente por conta da alta do dólar, já que cerca de 60% das receitas da empresa vêm da moeda americana. A Guide Investimentos também destaca que o início das operações da nova fábrica na Cidade de Imperatriz (MA) deve impulsionar a capacidade de produção de celulose em 80% (passando de 1,9 para 3,4 milhões de toneladas por ano) e ajudar na desalavancagem da empresa. “A relação dívida líquida/Ebitda (que mede a alavancagem) está diminuindo”, explica o estrategista Luis Gustavo Pereira, da Guide.
Outra companhia que exporta parte de sua produção e que se beneficia da valorização da moeda americana é a BRF (BRFS3). No mês de março, 10 corretoras indicaram a compra dos papéis. Uma delas foi a Ativa. O analista Lenon Borges destacou, em relatório, que as margens da empresa no 4º trimestre “impressionaram”. “A expansão das vendas foi robusta, a expansão de margem foi possibilitada por melhorias no custos operacionais, gerais e de vendas . A variação cambial, obviamente, favoreceu a empresa no período”, afirmou.
A Gradual também indica compra de BRF. Os analistas destacam que as perspectivas para a empresa são positivas este ano, apesar do ambiente macroeconômico mais desafiador. “A BRF espera expansão no volume de vendas tanto no mercado doméstico quanto nos mercados internacionais. O pequeno varejo de regiões pouco exploradas com Nordeste e Sul do Brasil será o foco do crescimento interno. No mercado internacional a estratégia é ter um crescimento seletivo adequando a oferta à demanda. Em relação às exportações, a expectativa é positiva devido a crescente demanda internacional por proteínas”, destaca a Gradual.
Já as ações da Embraer (EMBR3) foram recomendadas por 6 corretoras no mês de março. Os analistas lembram que mais de 90% das receitas da empresa estão em dólar. Além disso, a Rico justifica a indicação de compra pelo fato de a empresa ter encerrado o terceiro trimestre de 2014 com US$ 22,1 bilhões em valor de contratos (Backlog). No mesmo período do ano anterior, o Backlog da Embraer era de US$ 18 bilhões.
Outra exportadora que aparece entre as indicações dos analistas é a Fibria (FIBR3), que recebeu 2 recomendações de compra este mês. A empresa mostrou um forte resultado operacional, favorecido entre outros motivos pela desvalorização do real. No último trimestre do ano passado, a Fibria registrou Ebitda (Lucro antes de impostos, amortizações e depreciação, na sigla em inglês) recorde de R$ 906 milhões, com margem de 45,3% – maior nível da história da companhia. As ações da Fibria estão na carteira da Tov Corretora e da Souza Barros.