17 ações candidatas aos maiores dividendos de 2024 – e Petrobras não está na lista

Levantamento exclui da conta empresas que devem ter queda do lucro em 2023; veja possível nova líder do ano

Paulo Barros

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Um novo ano começou e, com ele, a dúvida de todo investidor com foco em dividendos: quais serão as maiores pagadoras da Bolsa desta vez?

A resposta exata só será descoberta dentro de 12 meses, mas um levantamento preliminar mostra que, entre os papéis com potencial de entregar o maior dividend yield (DY, taxa de retorno apenas com proventos), uma gigante da B3 deve decepcionar: a Petrobras (PETR4).

É o que mostra um estudo realizado por Einar Rivero, diretor da Elos Ayta Consultoria, com base em critérios que buscam mitigar distorções embutidas no indicador dividend yield projetado, comumente utilizado para prever o potencial de retorno de uma ação com proventos.

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Isso porque a ferramenta usa o histórico de pagamentos para estimar o rendimento com dividendos de uma ação no futuro. Trata-se de uma simplificação que não desconta, por exemplo, pagamentos extraordinários no ano que passou – se uma empresa se desfez de um ativo e pagou o investidor a maior, por exemplo, não necessariamente repetirá a dose no ano seguinte.

Para diminuir a poluição do indicador, o levantamento leva em conta apenas companhias que:

Assim, ficam de fora as empresas que caminham para não registrar em 2023 um lucro pelo menos igual ao de 2022. O levantamento também considera que as políticas de distribuição de proventos se manterão em 2024, e que a empresa seguirá o mesmo ritmo de repasses de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

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Como resultado, a Petrobras fica de fora da lista porque seu lucro caiu aproximadamente 50% entre janeiro e setembro de 2023, na comparação com 2022. Por isso, a expectativa é de que a companhia encerre 2024 com um dividend yield realizado inferior aos 18,6% estimados para 2023.

A possível campeã de 2024, aponta o estudo, é a Metal Leve (LEVE3), com DY projetado de mais de 30%. O lucro da empresa até o 3º trimestre de 2023 já havia superado o total de 2022.

Na sequência, aparece a Copasa (CSMG3), que, em nove meses do ano passado, teve lucro 21% acima do de 2022. O retorno com proventos esperado nos próximos 12 meses é de 14%.

“Entre as empresas que distribuíram mais de R$ 2 bilhões nos nove primeiros meses de 2023, apenas o Banco do Brasil (BBAS3) e a BB Seguridade (BBSE3) são identificadas como tendo potencial para se destacar como boas pagadoras de dividendos em 2024″, ressalta Rivero.

Os setores de água & esgoto e energia elétrica lideram a lista, cada um com quatro ações. Agricultura, bancos e material rodoviário vêm na sequência, com duas ações cada, enquanto outros cinco setores trazem uma empresa cada. Das 17 ações, 13 fazem parte do índice IDIV e seis estão no Ibovespa.

Veja as 17 ações com maior potencial de pagar bons dividendos em 2024:

Ação (ticker)DY* realizado em 2023 (%)DY* projetado para 2024 (%)
Metal Leve (LEVE3)35,3230,32
Copasa (CSMG3)18,6214,13
Brasilagro (AGRO3)11,0812,03
Cemig (CMIG4)11,5611,24
BB Seguridade (BBSE3)10,3410,33
Cemig (CMIG3)8,178,53
ISA CTEEP (TRPL4)9,738,32
Banco do Brasil (BBAS3)13,188,25
Irani (RANI3)10,777,81
CPFL Energia (CPFE3)8,857,49
Banrisul (BRSR6)9,396,87
SLC Agricola (SLCE3)5,836,56
Engie Brasil (EGIE3)7,676,40
Sanepar (SAPR4)10,186,34
Sanepar (SAPR11)10,066,28
Sanepar (SAPR3)9,706,05
Tegma (TGMA3)8,386,04
Fonte: Einar Rivero
*dividend yield, o retorno de uma ação apenas com proventos

Vale e outras velhas conhecidas também de fora

Além de Petrobras, outras ausências marcantes são empresas velhas conhecidas do investidor, que costumam figurar na preferência de casas de análise ao montar carteiras recomendadas para obtenção de dividendos.

É o caso de Vale (VALE3), que poderá não concretizar o dividend yield projetado de 7,87%, dado que o lucro em 2023 apresenta recuo de 70% em relação ao de 2022 – o que aponta para um resultado potencialmente mais fraco no balanço do último ano e, consequentemente, menos proventos.

A lista de empresas com bons números de dividend yield, mas que ainda assim não entram em 2024 como candidatas às maiores distribuições traz ainda ainda Bradesco (BBDC3BBDC4), CSN Mineração (CMIN3) e CSN (CSNA3) – que tem projeção de retorno com dividendos de mais de 15%, mas dificilmente conseguirá entregar valor ao acionista nesse patamar dado o prejuízo de R$ 897 milhões registrado de janeiro a setembro de 2023.

Paulo Barros

Editor de Investimentos