10 passos para começar a investir em ações

Quitar as dívidas, começar a poupar e aprender mais sobre o mercado são alguns dos passos indicados pelo diretor da Valore, Sérgio Quintella

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SÃO PAULO – Para muitas pessoas, investir em ações parece uma tarefa complicada e distante da sua realidade. Entretanto, especialistas apontam que este é um investimento como qualquer outro – que requer cuidados e uma boa análise, por se tratar de renda variável – e que pode trazer excelentes retornos, especialmente no longo prazo.

Para que você entenda um pouco mais sobre este tipo de investimento e como operar no mercado acionário, o diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella, indicou 10 passos importantes – que vão desde quitar as dívidas até a alocação da carteira – para que você comece a investir sem medo. Confira:

1 – Quitar as dívidas
O diretor da Valore ressalta que, antes de começar a investir em qualquer modalidade, é necessário quitar as dívidas e arrumar o orçamento. “No Brasil, a taxa de juros cobrada no cheque especial, empréstimo pessoal, cartão de crédito e financiamentos é muito alta. Então vale mais a pena utilizar o dinheiro para quitar dívidas do que começar a investir”, afirma. “Quem já está com as dívidas próximas a zero já pode ir para o próximo passo”, continua Quintella.

2 – Começar a poupar
Neste momento, o investidor vai começar a criar o seu “pé-de-meia”, aponta Quintella. “Aconselho que se guarde ao menos 20% das receitas para os investimentos”, diz.

Segundo ele, antes de começar a investir em ações, o investidor deve ter em torno de seis vezes o seu salário aplicado em renda fixa. “É uma maneira de garantir o padrão de vida por um tempo, caso o investidor tenha um revés na vida, como a perda de emprego”, afirma. “Neste caso, recomendamos principalmente LCIs (Letra de Crédito Imobiliário) e títulos públicos”, completa.

3 – Aprender mais sobre o mercado
Quem pretende começar a investir em ações deve se preocupar com a educação financeira e procurar informações sobre esta modalidade de investimento. “Facilita bastante a vida do investidor entender textos ou conversas de seu assessor de investimentos”, afirma.

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Para isso, ele aconselha que o investidor procure informações em sites especializados, revistas e participe de cursos e palestras sobre o tema. “Além disso, sempre que tiver alguma dúvida, é importante consultar um especialista”, afirma.

4 – Escolher instituição e conversar com os profissionais
Após entender um pouco mais sobre o mercado acionário, o investidor deve entrar em contato com um assessor de investimento ou com a corretora que escolheu para operar. “Os profissionais da instituição serão responsáveis pela conta do investidor e poderão auxiliar melhor sobre as aplicações”, diz.

Segundo ele, pelo menos no início, é melhor não operar sozinho. “Não recomendo que o investidor opere somente via home broker, principalmente no começo, já que podem surgir muitas dúvidas e é bom ter um profissional para auxiliar”, afirma.

5 – Analisar seu perfil de risco
De acordo com o diretor da Valore, é importante que o investidor entenda qual é o seu perfil de risco, para definir como irá operar. “Ele pode ser conservador, moderado, moderado-arrojado ou arrojado”, diz.

Para isso chegar ao seu perfil, é possível fazer os testes disponíveis na própria corretora (muitos sites também disponibilizam este tipo de teste) ou conversar com o seu assessor de investimentos.

Com esta definição, o investidor saberá o quanto deve investir em aplicações de baixo risco (renda fixa), médio risco (fundos de investimento imobiliário e alguns tipos de fundos multimercado) e alto risco (ações e BM&F). “Isso é fundamental, pois o montante indicado para investimentos em ações pode mudar muito de acordo com o perfil de cada investidor”, afirma.

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6 – Como investir?
Após ter consciência do seu perfil e sabendo quanto será destinado à renda variável, o investidor deve pensar em como irá investir em ações.

Segundo o especialista, em primeiro lugar, é preciso levar em consideração o valor inicial que será aplicado. “Se for menos de R$ 5 mil, aconselhamos que sejam investidos via clubes de investimentos ou mesmo fundos de ações – neste caso, é preciso ficar atento à taxa de administração”, diz Quintella.

Segundo ele, com mais de R$ 5 mil, o investidor pode operar diretamente no mercado acionário. “Nesta fase, ele também deverá definir se prefere operar com a análise fundamentalista (baseada nos balanços e fundamentos da empresa), análise técnica (baseada na leitura de gráficos) ou mesclar as duas”, aponta.

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7 – Alocação de carteira
Com todos os outros passos bem definidos, é hora de ir às compras. “Neste momento, o investidor deverá seguir sua alocação de carteira”, afirma Quintella. Para ele, uma boa alocação pode ser definida da seguinte maneira:

-Conservador:
10% de médio risco
90% de baixo risco

– Moderado
10% de alto risco
15% de médio risco
75% de baixo risco

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– Moderado – Agressivo
35% de alto risco
25% de médio risco
40% de baixo risco

– Agressivo
60% de alto risco
30% de médio risco
10% de baixo risco

8 – Acompanhamento
Com a carteira definida e já alocada, o investidor deve acompanhar as ações que estão no seu portfólio e verificar se elas estão atendendo às suas expectativas. “É a fase de checar os investimentos e reavaliar as diversas estratégias que existem na bolsa”, diz Quintella.

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“Um livro que pode auxiliar o investidor a se aprimorar se chama Axiomas de Zurique, de Max Gunther”, indica.

9 – Realocação de carteira
Segundo Quintella, de seis em seis meses, o investidor deve realocar a sua carteira de ações. “Quem investiu 50% em ações e 50% em renda fixa, pode, depois de alguns meses, ficar com uma proporção maior alocada em renda variável, caso as ações tenham subido neste período”, diz Quintella.

Neste caso, ele aconselha a venda de parte das ações e compra de títulos de renda fixa, para voltar ao mesmo patamar de 50% em cada um. “Esta metodologia obrigará o investidor a não se expor muito em ações depois que o mercado sofreu uma grande valorização e fará com que ele compre mais ativos após um realização do mercado”, ensina.

10 – Aprimoramento
Nesta fase, o investidor já entende um pouco mais sobre o mercado e sobre o conceito de alocação de ativos. “Mas ele não pode abrir mão do seu aprimoramento”, diz Quintella.

Segundo ele, é importante continuar investindo em cursos e palestras, procurando informações em sites e conversando com especialistas. “Afinal, a maioria de nós gasta horas por dia trabalhando para ganhar dinheiro. Não custa nada gastar poucos minutinhos por dia para fazer ele render”, conclui.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip