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SÃO PAULO – Na última terça-feira (11), Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel de Economia de 2008, afirmou que sua “maior preocupação é que os EUA e a Zona do Euro vivenciem décadas perdidas, parecidas com a do Japão”, ao comparar a situação corrente com a década de 1990, em que o país asiático necessitou de vários anos para emergir da crise.
Assim como Krugman, os economistas e agraciados com o prêmio Nobel Edward Prescott e Joseph Stiglitz falaram no mesmo dia, em evento em São Paulo, sobre “década perdida” da economia mundial, em face da atual recessão.
“Mesmo quando sairmos da crise, será uma era de desconforto e baixo crescimento. É preciso saber quais políticas são as certas. Os Estados Unidos perderão uma década de crescimento, como o Japão, depois da crise de 1992. Mas não vamos ter nova depressão, como a de 1929”, disse Prescott.
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É hora de analisar
Diante das afirmações de grandes economistas, Alberto Furuguem do banco Cruzeiro do Sul pede uma pausa para reflexão:
“O desenvolvimento sustentável tem sido colocado como o objetivo maior, mais do que
simplesmente o crescimento acelerado do PIB, a qualquer custo”, afirma.
“Se o crescimento rápido da economia mundial, como vínhamos assistindo nos últimos cinco anos terminados em 2007, tivesse continuidade, indefinidamente, sem crise, qual seria seu impacto sobre as condições de vida (animal e vegetal) em nosso planeta?”
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É importante preservar
Para o economista, em termos de meio ambiente (ou seja, de manutenção de condições de sobrevivência dos humanos e de outros tipos de vida sobre o planeta Terra), temos aqueles que acreditam que os estragos já provocados pelo homem sobre o globo já atingiram um estágio irreversível e os que acreditam que “ainda” estamos a tempo de reverter a situação.
Furuguem acredita que, se nos próximos dez anos tivermos uma taxa de crescimento do PIB mundial bem mais modesta, ao mesmo tempo em que avançarmos substancialmente em direção ao desenvolvimento sustentável, talvez venhamos a reconhecer, no futuro, que esta crise terá sido oportunidade para uma “pausa para meditação”.
Temos salvação?
O economista do banco Cruzeiro do Sul acredita que talvez possamos ter “uma década ganha” e não perdida, mesmo que a economia mundial cresça a taxas mais moderadas, caso passarmos a contar com:
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Alberto Furuguem ainda afirma que, nos últimos vinte e trinta anos, a renda per capita da maioria absoluta dos países aumentou substancialmente.
“É muito provável que, na maioria dos casos, as mesmas pessoas que passaram a ter um volume maior de bens materiais em sua posse questione, ou mesmo tenha certeza, que sua qualidade de vida piorou”, afirma.
“A deterioração da qualidade do ar, da segurança pública, do trânsito, por exemplo, vieram, quase sempre, em paralelo ao crescimento da renda e o resultado acabou sendo a piora e não melhora na qualidade vida”.
“De certa forma, temos razões para acreditar que o mundo poderá ser melhor, mesmo que o crescimento do PIB seja mais moderado”, conclui Furuguem.