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SÃO PAULO – Por mais um trimestre, a Vale (VALE3; VALE5) deverá apresentar resultados mistos, em meio à combinação de baixos preços, mas de maior volume vendido. É essa a expectativa de analistas para o resultado da companhia do quarto trimestre de 2015, que será divulgado na manhã de quinta-feira (25), antes da abertura dos mercados.
De acordo com a compilação da opinião de oito analistas consultados pela Bloomberg, a Vale deve registrar um prejuízo de US$ 76,1 milhões no quarto trimestre, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) deve somar US$ 1,388 bilhão. Já a receita deve chegar a US$ 5,976 bilhões, estimam os analistas.
“Esperamos que o Ebitda caia 37% no trimestre, para US$ 1,2 bilhão, principalmente impactado pela queda de preços do minério de ferro (15% no trimestre), apenas parcialmente compensados por uma melhora devido à depreciação do real. Nós estimamos volumes de minério de ferro em expansão de 3% no trimestre, em meio ao impacto sazonal dos últimos três meses”, avaliam os analistas Alan Glezer e Arthur Suelotto, do Bradesco BBI.
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Já o Itaú BBA prevê uma menor queda do Ebitda, para US$ 1,7 bilhão, enquanto os volumes do preço minério de ferro devam subir 8% na comparação trimestral e os volumes de metais básicos subam 10%. A expectativa é de que os preços realizados do minério de ferro tenham se reduzido mais uma vez, passando de US$ 45 a tonelada no último trimestre para US$ 39.
Enquanto isso, o Santander prevê um Ebitda de US$ 1,485 bilhão, queda de 32% na comparação anual. “Além disso, estimamos que ela continuará queimando caixa dado o rígido compromisso para entregar crescimento, o que deve manter a tendência de alta da alavancagem financeira da empresa”, avaliam os analistas do Santander.
Mas nem tudo deve se negativo para a mineradora, já que a queda do real frente ao dólar em 2015 ajudou na questão de custos da companhia, uma vez que grande parte de seus gastos são em reais. Por outro lado, a queda da moeda nacional deve gerar algum impacto negativo sobre a dívida em dólares da Vale.
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Os analistas do Bradesco reforçam ainda que o indicador dívida líquida/Ebitda deve subir para 4,5 vezes no quarto trimestre do ano passado, apesar de um período mais estável do dólar. “A alavancagem deve continuar a deteriorar-se enquanto o capex é usado no projeto de expansão S11D”, destacam. Vale destacar que a mineradora anunciou no mês passado que vai propor ao conselho a não distribuição de dividendos em 2016.
Efeito Samarco
E um fator novo deve começar a impactar o balanço da companhia: trata-se do “efeito Samarco”, em meio ao rompimento da barragem do Fundão ocorrido em 5 de novembro de 2015, que levou à morte de 17 pessoas e deixou um rastro de destruição por onde passou. “Os impactos iniciais do acidente da Samarco começam a aparecer, com as vendas do minério de ferro devendo ficar para trás frente a expansão das exportações brasileiras”, afirma a equipe do Bradesco.
Enquanto o impacto sobre o resultado começa a surgir agora, os especialistas seguem tentando projetar quais seriam as dificuldades enfrentadas diante dos processos e outras sanções que podem surgir no futuro. Na última segunda-feira, o Ministério Público de Minas Gerais informou o bloqueio de R$ 500 milhões da Samarco, da Vale e da BHP Billiton para a reconstrução de bens públicos e urbanos destruídos na cidade de Barra Longa.
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Já o Ministério Público do Espírito Santo abriu uma ação judicial contras as empresas no valor de R$ 2 bilhões. A ação pede o bloqueio de bens das rés e o pagamento de indenização por dano moral difuso, que atinge várias pessoas, por causa de supostos prejuízos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão.
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