Publicidade
SÃO PAULO – A queda das ações da Vale (VALE3; VALE5) no final da última semana viraram para ganhos robustos nesta sessão. Enquanto a derrapada dos preços do minério de ferro na semana passada, quando atingiram o menor patamar em 20 meses, foi motivo de preocupação, hoje os investidores estão de olho nos resultados de indicadores industriais da China, principal destino das exportações da mineradora.
Às 15h23 (horário de Brasília), os papéis ordinários da Vale registravam ganhos de 2,92%, cotados a R$ 29,23, enquanto os preferenciais subiam 2,46%, para R$ 26,27. Na máxima do dia, atingiram ganhos de 3,42% e 2,69%, respectivamente. Já as ações da Bradespar (BRAP4), holding com participação na Vale, apresentavam a maior alta do índice, com valorização de 3,12%, a R$ 19,18.
O desempenho reflete o resultado melhor que esperado do PMI da indústria do gigante asiático, que subiu para 50,8 em maio, o maior número resultado em 5 meses. Segundo a equipe do Credit Suisse, o indicador sugere que o fluxo está melhorando, mas ressaltam que os desafios ainda continuam para o país.
Continua depois da publicidade
Semana de alívio
De acordo com o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora, a queda da última sessão já incorporava uma expectativa ruim sobre o PMI da indústria chinês, o que ajuda nesta alta mais forte dos papéis hoje. Mesmo assim, ele acredita que as ações ainda têm espaço para novas desvalorizações, lembrando que hoje à noite ainda será divulgado o PMI feito pelo HSBC. Segundo a LCA Consultores, a projeção é que este PMI fique em 49,6 pontos, contra 49,7 do mês anterior – lembrando que valores abaixo de 50 significam contração do setor.
O alívio de curto prazo para a Vale e companhias expostas ao preço do minério, como Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3), também passa pelas autoridades chinesas, é o que destaca o economista da XP Investimentos, Daniel Cunha. Segundo ele, a China passa por um momento em que o governo está se mostrando mais disposto a intervir e ajudar nos momentos em que é preciso, o que pode ajudar o preço da commodity nos próximos dias.
De acordo com Cunha, o início de 2014 foi marcado por uma reavaliação do mercado sobre a situação da China, com os investidores analisando se o país ainda é capaz de sustentar os altos preços do minério de ferro como tem ocorrido nos últimos anos. Ele destaca que a queda recente dos preços da commodity foi uma grande surpresa, mesmo para os mais pessimistas, o que gera uma tensão maior. “O momento ainda pede cautela, mas acredito que o maior pessimismo já passou”, afirma.
Continua depois da publicidade
Galdi ainda ressalta que no momento a China tem apresentado dados muito mistos, além das reformas que estão sendo anunciadas, o que gera uma volatilidade maior para as ações expostas ao país, que não se restringe à Vale. “Na última semana, o fluxo de indicadores foi negativo, mas quando a China divulga um dado positivo, as ações também sobem”, destaca o analista.
Efeito do preço do minério
Mais do que ficar atento à divulgação do PMI, a queda do preço do minério de ferro deve continuar sendo a maior preocupação dos investidores. O analista William Alves, da XP, destaca que a commodity representa entre 60% e 70% do negócio da Vale e que o desempenho negativo das ações da companhia, acompanhando o médio e longo prazo, seguem essa proporção em relação à queda do preço do minério. Ou seja, além do cenário da própria empresa e da China como um todo, o preço do minério é um dos principais fatores para a volatilidade das ações.
Para a equipe de analistas da Citi Corretora, o minério deve ficar próximo de US$ 90 em 2015, o que abre espaço para mais quedas da Vale no longo prazo. Eles explicam que com a commodity a US$ 136, a companhia tinha um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 67 por tonelada em 2013. Caso o preço caia e se mantenha em torno dos US$ 90 esperados, o Ebitda da mineradora despenca para US$ 25 por tonelada.
Continua depois da publicidade
Os analistas também destacam o momento da companhia em comparação com seus pares internacionais, a Rio Tinto e a BHP, mostrando que o desempenho da brasileira é bem mais fraco, gerando de US$ 10 a US$ 15 menos de Ebitda por tonelada, “o que significa mais alavancagem ao downside caso o minério siga caindo”.