Vale: precificando mudança contratual e cenário negativo na China, ações caem 3,75%

Possível desconto para a China poderia prejudicar resultado da mineradora no quarto trimestre; dia foi negativo para commodities

Por  Tatiane Monteiro Bortolozi

SÃO PAULO – As ações ordinárias da Vale (VALE3, VALE5) registraram forte desvalorização nesta segunda-feira (17), em meio às referências bastante negativas para as produtoras de commodities metálicas. As ações ordinárias da mineradora recuaram 3,75%, fechando a R$ 41,38, enquanto os ativos PNA caíram 3,51%, para R$ 38,74. No intraday, VALE3 e VALE5 chegaram a cair 4,61% e 4,23%, respectivamente, nas suas mínimas diárias.

Além da Vale, outras empresas voltadas à produção de minério de ferro também viram suas ações registrarem fortes quedas. Os papéis da CSN (CSNA3) e MMX (MMXM3) terminaram na quarta e quinta piores posições do índice, após recuarem 5,21% e 4,99%, para R$ 14,02 e R$ 6,86, respectivamente.

Desde a última sexta-feira (14), a imprensa nacional e internacional indica uma possível mudança no cálculo dos preços do minério de ferro. A mineradora brasileira estaria oferecendo aos clientes chineses a chance de mudar a precificação do quarto trimestre, praticamente descartando uma cláusula contratual que impedia que variações de até 5% dos preços no mercado à vista, para cima ou para baixo, fossem repassadas ao preço acertado em contratos trimestrais.

Mercado está precificando essa mudança
Para o analista Carlos Daltozo, do BB Investimentos, a bolsa já estaria precificando a possível mudança contratual, que poderia afetar negativamente o resultado do quarto trimestre da companhia. O cenário de arrefecimento das economias europeia e chinesa também teriam contribuído para que a ação despencasse nesse início de semana, segundo o analista.

Embora a notícia tenha sido veiculada na sexta-feira, as ações da Vale conseguiram driblar esses rumores por conta do dia positivo no mercado como um todo, tendo fechado com leve valorização naquele pregão. Contudo, com uma segunda-feira negativa para a bolsa brasileira – o Ibovespa teve recuo de 2,02% – e com o vencimento de opções sobre ações, fato que sempre traz bastante volatilidade ao mercado, os ativos da Vale não conseguiram evitar essa forte penalização.   

A analista da Ativa Corretora, Daniela Maia, acredita que o consenso já contava com um patamar de preços de minério mais alto e “os descontos também servem como sinalização para o enfraquecimento do mercado em face dos temores de desaceleração de atividade na China e no mundo”.

Mudança contratual é neutra para analista da Spinelli
Na contramão, o analista da Spinelli, Max Bueno, acredita que a mudança contratual deve ter um impacto neutro. “Os preços médios no terceiro e quarto trimestres pouco variaram; desta forma, a empresa não teria prejuízo”, ele afirma.

Bueno acredita que a ação da Vale acabou acompanhando o movimento de mercado e a piora de perspectivas na Europa, após a chanceler alemã Angela Merkel ter afirmado que os problemas do bloco não devem ser totalmente resolvidos na próxima semana.

Na próxima sessão, será divulgado o PIB (Produto Interno Bruto) da China no terceiro trimestre do ano. A expectativa é de recuo em relação ao período imediatamente anterior. Contudo, segundo o analista da Spinelli, pouco adianta olhar para trás, embora a China seja um país bastante significativo para as empresas de commodities. O preço do mercado spot chinês, que teve uma queda acentuada na sexta-feira, poderia ser um indicador mais preciso da piora no humor do mercado, ele diz. 

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