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SÃO PAULO – Em audiência pública na CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação), a Vale (VALE3; VALE5) foi acusada por um ex-funcionário de espionar e torturar seus próprios funcionários. André Almeida e seu advogado, o Dr. Ricardo José Regis Ribeiro, colocaram em público uma tese de que a mineradora tem sido opressora contra seus próprios funcionários e movimentos sociais das regiões em que se situam.
De acordo com Almeida, essas operações de opressão existem desde, ao menos, a década de 1980 – quando Eliezer Batista, pai de Eike Batista, era o presidente. Nesta época, ex-integrantes das forças armadas foram contratados pela Vale para compor a segurança – com técnicas de investigação e levantamentos de informações. Essa força de segurança era comandada por um cadete expulso da força área e um sargento que pediu licenciamento do Exército para fugir da prisão disciplinar.
Na década de 1990 – ainda estatal -, a empresa teria inclusive começado a comprar armas e entregar à polícia. Essas práticas continuaram inclusive já na gestão privatizada da Vale, quando, inclusive, levantou-se o histórico financeiro de Tito Martins, cotado a assumir a presidência da empresa após a sáida de Roger Agnelli, mas que acabou perdendo a preferência para o atual CEO, Murilo Ferreira.
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Os métodos
O ex-funcionário da Vale afirmou no Senado que a mineradora tinha diversos métodos para espionar os funcionários, indo desde escutas telefônicas, invasão de computadores – incluindo aos arquivos pessoais -, câmeras ocultas e até levantamento dos antecedentes criminais e de dados sigilosos, como extratos bancários e declarações de imposto de renda.
Contra os movimentos sociais, a Vale realizava infiltrações, produzia dossiês, alterava indicadores – como, por exemplo, ao declarar atropelamentos como suicídio – e utilizava órgãos públicos. Um desses movimentos sociais que sofreu com essas medidas foi o Atingidos por Barragens, em Ituêta, Espírito Santo, e o Pó Preto Vale, que luta contra a poluição provocada pela Vale na região da Grande Vitória. Porém, um dos maiores “inimigos” da Vale seria o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), alvo constante de infiltrações, perseguições, grampos telefônicos e sabotagens, revela Almeida. Ele chega a mostrar e-mails que atestam que a Vale sabia, de antemão, quando o MST realizaria passeatas.
O ex-funcionário também acusa a empresa de espionagem e favorecimento para comprar licenças ambientais, contratando empresas lobistas para isso.