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SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3;VALE5) tiveram um pregão para esquecer na BM&FBovespa nesta terça-feira (19): projeções pessimistas para o setor traçadas pela concorrente Rio Tinto, sinais de cautela em relação à China – principal cliente da empresa brasileira – e corte de recomendação do Goldman Sachs para as mineradoras provocou a fuga dos investidores aos papéis do setor. Soma-se a isso o dia bastante conturbado no mercado por conta da situação do Chipre, que derrubou as bolsas ao redor do mundo.
O resultado: as ações da mineradora registraram a maior desvalorização diária desde julho do ano passado, fechando nos seus menores patamares desde setembro. Os papéis VALE3 (que representam as ações ordinárias) fecharam com queda de 4,11%, a R$ 33,58, enquanto VALE5 (refere-se às preferenciais) caiu 3,89%, para R$ 32,39. Esse desempenho ajudou a afundar o Ibovespa nesta sessão – já que essas duas ações respondem por cerca de 11% da composição do índice -, que fechou com queda de 1,07%, a 56.361 pontos.
A Bradespar (BRAP4), holding que detém participação no capital da Vale, também sofreu o baque das notícias do setor e viu suas ações fecharam com baixa de 3,51%, a R$ 25,85.
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As maiores preocupações em relação à economia da China e, principalmente o seu sistema bancário, levaram à perspectivas ruins para o setor, uma vez que o gigante asiático é um dos maiores consumidores de minério. Em relatório, o economista para Ásia do UBS, Tao Wang, destacou as preocupações com o crescimento bastante forte dos chamados shadow banks, que se constituem em operações que não são feitas por bancos, mas têm efeitos similares e podem ter impacto sistêmico.
Projeções negativas levaram à queda
Além do cenário externo bastante negativo, com a crise da zona do euro voltando à tona e preocupações na China, algumas notícias ajudaram os ativos destas companhias a terem fortes quedas nesta terça. Nesta manhã Greg Lilleymann, presidente das operações da Rio Tinto na Austrália, declarou que vê preços mais fracos do minério de ferro na segunda metade do ano.
Além disso, um relatório do Goldman Sachs estimou uma queda na tonelada métrica neste ano, passando de US$ 144,00 para US$ 139,00. Em meio a estas estimativas, o banco norte-americano recomendou a venda das ações da Rio Tinto e da BHP Billiton, duas das maiores mineradoras do índice. As projeções levam em conta os sinais de desaceleração no crescimento da demanda de aço chinesa e exportações mais altas da Austrália.
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Desta forma, as ações da Rio Tinto negociadas na Nyse (New York Stock Exchange) fecharam em baixa de 5,30%, a US$ 46,66, enquanto as da BHP caíram 2,73%, a US$ 69,60.
Futuro melhor?
Mesmo com essas projeções, Carlos Müller, analista da Geral Investimentos, destaca que as perspectivas não são de piora para os projetos da Vale, após a companhia registrar várias baixas contábeis em 2012 e afirmar que focará mais em projetos tido como centrais para a companhia.
“A perspectiva de preços menores de minério é um fator negativo, mas não elimina os movimentos positivos realizados pela companhia”, avalia o analista.