Usiminas expõe cenário de dificuldades durante reunião com Apimec

Siderúrgica pretende reduzir R$ 100 milhões por ano com redução de custos administrativos; corretora revê projeções

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SÃO PAULO – Em reunião realizada na véspera com a Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais), a Usiminas (USIM3, USIM5, USIM6) admitiu os cenário de dificuldades que enfrenta e reforçou as medidas que vem adotando.

“A reunião foi boa, pois a companhia foi sincera ao expor as dificuldades que tem enfrentado, além de reiterar as medidas que vem adotado para melhorar sua competitividade e voltar a ser lucrativa”, avaliou Leonardo Zanfelicio, da Concórdia Corretora.

Por outro lado, segundo o analista, muitas destas medidas só ficarão prontas entre 2014 e 2015. Se este cenário de câmbio valorizado, pressão das matérias primas e excesso de capacidade instalada de aço no mundo continuar, os próximos dois anos ainda serão difíceis para a companhia.

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“Como ainda não vemos nenhuma mudança significativa neste cenário no curto prazo, acreditamos que as ações da Usiminas ainda deverão ficar pressionadas, a não ser que ocorra algum evento envolvendo a troca de controle da empresa”, acredita Zanfelicio.

Neste sentido, a Concórdia está revisando a sua projeção para a Usiminas baseada neste cenário e nos planos mencionados pela própria companhia, a fim de avaliar melhor o valor intrínseco da empresa.

O que a Usiminas apresentou
Durante a reunião com a Apimec, a Usiminas mostrou a reviravolta que o setor siderúrgico passou nestes últimos três anos, com a sua elevada perda de valor na cadeia do aço para as principais matérias primas, notadamente o minério de ferro e o carvão.

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As siderúrgicas brasileiras perderam consideravelmente a competitividade neste mesmo período em função da alta carga tributária, custo da mão de obra e a valorização do Real frente ao dólar.

“Para piorar ainda mais a situação, a indústria de siderurgia mundial está sobre ofertada, o que acirrou ainda mais a competição com o aço importado e inibiu reajustes nos preços do aço para compensar o aumento dos custos das principais matérias primas”, constatou o Leonardo Zanfelício.

Paralelamente, a Usiminas ainda salientou que a entrada de produto a base de aço é outro fator de grande preocupação, tendo em vista que ele prejudica toda a indústria brasileira que possui o aço como matéria prima.

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Sem novas siderúrgicas
A empresa também informou durante a reunião que construir uma nova siderúrgica no país não é viável, haja vista que o custo por tonelada de aço bruto equivalente no Brasil é da ordem de US$ 1.800, enquanto na Índia e na China é de US$ 1.000 e US$ 550 por tonelada, respectivamente.

Entretanto, as perspectivas para o consumo de aço no país são positivas nos próximos anos, basicamente explicada pelos elevados investimentos em infraestrutura, o ressurgimento da indústria naval e do maior consumo de bens manufaturados a base de aço.

Redução de custos administrativos
Por fim, a companhia anunciou ainda algumas medidas para reduzir as despesas administrativas, como por exemplo, a redução do número de gestores (de 144 para 109) e dos níveis hierárquicos. Estas medidas, aliadas as outras, deverão gerar uma redução anual superior a R$ 100 milhões por ano.