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SÃO PAULO – No dia 5 de outubro de 2011, Steve Jobs, faleceu o co-fundador e CEO (Chief Executive Officer) da Apple. Considerado um gênio, Jobs é responsável direto pela criação de alguma dos maiores produtos da empresa: Apple II, Macintosh, iPod, iPhone e iPad. Mesmo sem o fundador, as ações da empresa saltaram de US$ 376,63 (cotação de fechamento do dia de sua morte) para US$ 652,59 até o aniversário do falecimento – alta de 73,27%. Além dessa forte valorização, a companhia alcançou o posto de empresa com maior valor de mercado da bolsa norte-americana.
Jobs esteve fora da empresa pela 1ª vez no período de 1986 a 1996 – época em que a Apple já possuia capital aberto. Sem a mente criativa de Jobs, os papéis da empresa caíram de US$ 23,12 para US$ 20,87 – um recuo de 9,73%. Nesse mesmo período, o Dow Jones, considerado uma média de desempenho do mercado norte-americano, saltou dos 1.546 pontos para 6.448 pontos – um avanço de 317,08%. A genialidade do fundador, portanto, fazia diferença.
Um velho novo estilo de comando
Com a morte do antigo comandante, a empresa teve que apontar um novo executivo para tocar o dia-a-dia: Tim Cook, considerado o braço direito de Jobs durante seus últimos anos de vida, imprimiu um programa de caridade e voltou a pagar dividendos – algo que com Jobs seria extremamente difícil.
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Não é a primeira vez que a Apple possui um programa de caridade – a empresa já havia experimentado esse tipo de ação entre 1986 e 1996. Os dividendos de US$ 2,65 por ação pagos em agosto deste ano também foram os primeiros desde 1995, o último ano antes de Jobs retornar ao comando da gigante dos eletrônicos. Se é apenas uma coincidência, deve ser forte o bastante para deixar os acionistas da Apple desconfortáveis.
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Cook também atacou outra característica de Jobs: o novo presidente tenta transformar a empresa em um lugar melhor para se trabalhar, e permitiu que os funcionários tivessem uma semana de folga depois do dia de Ação de Graças – um importante feriado norte-americano.
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O pedido de desculpas
Jobs tinha uma intenção declarada: criar o melhor produto possível. Foi assim que o executivo revolucionou o mercado de computação e música, popularizou o smartphone e transformou o mercado de tablets – um antigo sonho mal-realizado de Bill Gates, co-fundador da Microsoft. Para obter a melhor experiência de navegação no celular e no tablet, Jobs teve que se render ao Google Maps, de sua maior rival.
Concorrência é concorrência e Cook optou por retirar o Google Maps do iOS 6.0 – versão nova do sistema operacional lançado junto com o iPhone 5 -, lançando um serviço próprio de mapas. O tiro saiu pela culatra. Os mapas da Apple, uma parceria com a empresa holandesa de GPS TomTom, não deram certo e viraram uma piada instântanea na internet. Cook teve que pedir desculpas pelo erro – lembrando que o antigo chefe buscava o melhor produto possível e o novo serviço de mapa não garantia isso.
Não é válido dizer que Jobs amava o maior rival. Em suas biografias, Jobs aparece como alguém que gostaria de gastar “até o último centavo” para destruir um dos principais produtos do Google – o Android, sistema operacional aberto para smartphones e tablets, que se não é uma cópia, é bastante inspirado no iOS da Apple.
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Jobs e a Apple já haviam tido uma experiência similar. O Windows da Microsoft – também inspirado em elementos popularizados pela Apple -, ajudou a enterrar a divisão de computadores da Apple durante duas décadas, roubando o principal mercado da empresa do executivo. Sem o legendário e criativo co-fundador, será que a Apple está fadada a passar pela mesma história de encolhimento?