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SÃO PAULO – Logo no começo desta semana, os mercados se surpreenderam com a notícia de que a Lojas Americanas (LAME4) estaria preparando a incorporação do restante das ações de sua controlada B2W (BTOW3). Mesmo com a companhia negando esses rumores no mesmo dia, as ações da varejista online dispararam 7%, liderando os ganhos do Ibovespa no pregão.
A notícia também ganhou repercussão das equipes de análise de mercado, que deram um viés predominantemente negativo à Lojas Americanas caso ela de fato realizasse essa aquisição de ações, temendo que isso provocasse um forte salto no endividamento da empresa, tirando de seus principais pontos fortes a posição saudável de caixa. Para a Fator Corretora, a negociação só seria atrativa se a compradora conseguisse pagar o menor prêmio possível pelos ativos da B2W.
Fugindo um pouco do foco apenas na análise sobre uma possível compra das ações, a equipe de investimentos do UBS, em relatório assinado por Gustavo Piras Oliveira e Flavio Barcala, traçou quatro possíveis desfechos para a história, apontando ainda qual a probabilidade de que cada cenário possa tornar-se realidade. Na visão deles, a projeção com maior possiibilidade de se concretizar é a de que nada acontecerá entre as duas empresas em 2011, com 50% de chance.
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Cenário 1: Americanas faz oferta de compra à B2W (probabilidade: 15%)
No primeiro cenário, o banco aponta para uma possível oferta de aquisição das ações da B2W pela Lojas Americanas. Para o lado da compradora, a motivação viria da interpretação de que os papéis da B2W estão desvalorizados, vendo nisso uma boa oportunidade de capturar um potencial de valorização para os seus acionistas. Já na ponta vendedora, o principal motivo seria o ataque competitivo a que a B2W está exposta, por ser a única empresa do segmento listada na bolsa.
Contudo, Oliveira e Barcala assumem um prêmio de 20% na oferta de compra dos ativos, o que acabaria não tornando a negociação atraente na captação de benefícios operacionais. Os analistas também comentam sobre a grande possibilidade dessa oferta ser financiada por troca de ações e não por dinheiro, pelo fato da Americanas possuir um agressivo plano de crescimento no número de lojas físicas.
Caso a oferta seja feita dessa forma, a dupla de analistas estima que os acionistas da B2W receberiam uma ação ON e PN da Lojas Americanas para cada papel da controlada que eles detinham. “Nesse cenário, os controladores da Lojas Americanas ainda iriam deter o controle da companhia, com 50,53% das ações ordinárias”, explicam os especialistas do UBS.
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Cenário 2: Americanas vende sua participação na B2W (probabilidade: 20%)
O outro cenário desenhado pela dupla aponta para uma possível venda da fatia majoritária da Lojas Americanas na B2W para um investidor estratégico. Nesse sentido, Oliveira e Barcala enxergam benefícios bem concretos para a varejista online, que poderá investir em novas tecnologias em um curto intervalo de tempo. Além disso, dependendo de quem for o comprador dessas ações, há até a possiibilidade de internacionalização das atividades da companhia.
Já para a Lojas Americanas, o montante captado poderia acelerar seu plano de crescimento ou até mesmo reforçar sua estrutura de capital. “Acreditamos que esse cenário pode adicionar maior valor tanto para a B2W quanto para a Lojas Americanas”, afirmam os analistas.
Apesar da probabilidade de 20% desse cenário acontecer, uma questão levantada pela dupla ressalta o ceticismo quanto à possibilidade dessa história se tornar real: “há algum investidor estratégico interessado na B2W?”, questionam os analistas, ressaltando não só a acirrada competição nesse setor, como também o fato de a empresa se encontrar fortemente alavancada.
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Cenário 3: status quo prevalece (probabilidade: 50%)
Já o cenário com maior possibilidade de ocorrer em 2011, segundo Oliveira e Barcala, é de que nada aconteça entre Lojas Americanas e B2W. A principal motivação para isso seria a expectativa de que os resultados da varejista online ensaiem uma recuperação nos próximos trimestres, mostrando que a companhia finalmente se tornou hábil para gerar caixa e, consequentemente, diminuir seus níveis de endividamento.
“Nesse caso, esperamos por melhores resultados no 4T10 e no 1T11, proporcionando uma confiança renovada para o que antes era percebido como uma estratégia vencedora”, ressalta a dupla do UBS.
Contudo, se a expectativa de recuperação dos resultados é a principal motivação para o cenário desenhado, o risco dele consiste na possibilidade da B2W apresentar balanços trimestrais frustrantes. “Se aliado a isso juntarmos a manutenção de uma intensa competitividade, então é possível que a B2W tenha de emitir ações para recapitalizar o seu balanço”, afirmam os analistas.
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Cenário 4: B2W realiza nova emissão de ações (probabilidade: 15%)
O último cenário traçado pelo banco suíço consiste numa possível oferta de ações por parte da B2W para poder capitalizar seu plano de crescimento. “Se essa estratégia der certo, então a ação pode ensaiar uma retomada após a operação”, afirmam Oliveira e Barcala. Caso contrário, a desvalorização de suas ações nos mercados, provocada pela forte diluição que seria gerada pela oferta, não mostraria recuperações no longo prazo, tornando o ativo ainda menos atrativo aos investidores.