Títulos de dívida atingem recorde na Argentina com ajuda de BRF

Empresas argentinas levantaram US$ 6,5 bilhões no mercado de títulos neste ano, no ritmo mais rápido desde pelo menos de 2000

Publicidade

SÃO PAULO – Uma unidade da BRF (BRFS3) na Argentina aproveitou a inflação em 25% ao ano no país para emitir títulos de dívida com a moeda nacional (o peso) depreciada. A Quickfood, considerada a maior fabricante de hambúrgueres da Argentina, afirmou ter vendido, no dia 5 de setembro, cerca de US$ 7,5 milhões em títulos com vencimento em um ano e meio apoiados pela empresa-mãe de São Paulo.

A empresa, que foi comprada em junho de 2012 pela BRF, conseguiu vender os títulos a 2,24 pontos percentuais acima da taxa de referência badlar – que remunera os empréstimos acima de 1 milhão de pesos argentinos -, que no dia da operação era de 18,31%. Essa foi a menor diferença de rendimento para notas de vencimento semelhante neste ano, segundo o Instituto Argentino de Mercados de Capitais, ou IAMC. 

Em entrevista por e-mail à Bloomberg, o gerente de finanças da Quickfood, Claudio Albarracín, disse que dadas as múltiplas taxas de câmbio com as quais vivem na Argentina hoje, a recente aceleração da desvalorização do peso no mercado oficial e as previsões para onde vai, não acredita que seja conveniente vender títulos de qualquer outra moeda que não seja o peso. 

Continua depois da publicidade

Confrontadas por custos de empréstimos que, internamente, são quase o dobro da média dos mercados emergentes, as empresas argentinas levantaram US$ 6,5 bilhões no mercado de títulos neste ano – o ritmo mais rápido desde pelo menos de 2000 -, sendo que a Quickfood está batendo o mercado de títulos em pesos à medida que a inflação anual diminui o valor de sua dívida e a moeda se deprecia à mais rápida taxa mensal desde 2009. Somente neste ano, o peso sofreu uma desvalorização de 13,8% frente ao dólar, e deverá cair mais 4,9% até o fim do ano, para 6 pesos por dólar, de acordo com a mediana das estimativas de 21 analistas consultados pela Bloomberg.