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SÃO PAULO – Nesta manhã, a Telefónica chegou a um acordo para aumentar sua participação na Telecom Itália, em um negócio de aproximadamente € 441 milhões (US$ 596 milhões). Porém, o fato da empresa espanhola já ser dona da Vivo aqui no Brasil e agora se tornar a acionista majoritária da TIM (TIMP3) pode gerar algumas mudanças aqui no País.
Pelas regras do setor de telecomunicações no Brasil, uma companhia, ou grupo, não pode ser dona de duas empresas que atuam em telefonia móvel em uma mesma região. Ou seja, não é permitido que a Telefónica seja dona tanto da Vivo quanto da TIM, as duas maiores companhias de telefonia do País – o que pode fazer com que a subsidiária brasileira da operadora italiana seja vendida por aqui. Há até um nome que, especula-se, estaria interessado: a britânica Vodafone.
“Dificilmente a Telefónica fecharia este negócio sem ter algum plano sobre esta situação. É provável que as companhias busquem alguma associação, algum acordo para manterem suas atuações”, explica o analista Calos Muller, da Geral Investimentos. A expectativa é que ou a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) ou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovem o negócio, mas imponham restrições.
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“Até o momento é complicado fazer alguma projeção porque o negócio ainda não foi detalhado, principalmente em relação à esses empecilhos no Brasil”, afirma Muller. “Em um primeiro momento, a notícia é positiva para as duas companhias, principalmente porque são as duas maiores do setor no País se unindo e com lideranças em nichos diferentes: a Vivo é líder em telefonia fixa e em pós-pagos, enquanto a TIM lidera o mercado de pré-pagos”, conclui ele.
Nesta tarde, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ressaltou que a Telefónica não poderá ter o controle das operadoras Vivo e TIM no Brasil, porque isso é contra a legislação do país. Segundo ele, o governo ainda vai aguardar a formalização das negociações entre as duas empresas.
Segundo Bernardo, a Telefónica terá um prazo para vender o controle de uma das empresas para outro grupo que não poderá ser outro concorrente estabelecido no país, como a Vivo, Oi, Claro e Nextel. “Um grupo não pode controlar duas empresas desse porte no país, tem impedimento na legislação. Na hora que formalizar isso, eles vão receber um prazo para fazer a venda da empresa”, declarou
Gigante nacional
Em relatório, o Morgan Stanley afirmou que os obstáculos regulatórios podem não ser tão grandes como se pensa para o setor. No caso do Cade, o banco diz que não haveria um patamar de market share que poderia levantar uma bandeira vermelha e amarela, e citou que a própria Vivo já tem mais de 60% do mercado em alguns estados. Por outro lado, a Anatel pode aprovar o negócio se for convencida de que isso não irá prejudicar a qualidade dos serviços.
Em entrevista para a Reuters, uma fonte ligada à Anatel afirmou que outro problema que poderia surgir é a perda de qualidade do serviço. Esse efeito seria sentido pelo fato de que, as duas faixas de operação das companhias teriam que ser “unificadas” em apenas uma frequência para que ambas pudessem manter suas atuações, o que poderia sobrecarregar o sistema.
Nesta terça-feira (24), os papéis da Telefônica Brasil (VIVT4) registraram alta de 3,64%, a R$ 51,50. Enquanto isso, as ações da TIM têm forte valorização de 9,59%, atingindo R$ 11,08, apresentando também um volume bem acima da média: são R$ 243,8 milhões – o maior do ano -, ante R$ 69,8 milhões de média.
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O negócio
Com o acordo, a Telefónica pagará inicialmente 324 milhões de euros para aumentar sua participação na Telco, empresa dona de 22,4% da Telecom Italia, passando de 46% para 66%. O preço estabelece um valor por ação da Telecom Italia de 1,09 euros. O momento para a companhia italiana é complicado, já que a mesma tem tido dificuldades para conseguir capital para resolver o problema de sua dívida, que chega a US$ 38 bilhões.
Em uma segunda fase, a Telefónica planeja elevar sua participação na Telco para 70%, equivalente a quase 16% da Telecom Italia, por meio de um segundo aumento de capital. Mais adiante, a empresa poderá comprar o restante da participação de todos os sócios da Telco.