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SÃO PAULO – A TIM (TIMP3) ainda carrega o posto de “queridinha” entre os analistas, mas quem está cada vez ganhando mais espaço na bolsa é a Oi (OIBR4). Desde julho – época que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) suspendeu as vendas de novos planos das operadoras, com exceção da Telefônica Brasil (VIVT4), por 10 dias -, os papéis da Oi se descolaram das demais empresas do setor listadas na BM&FBovespa e registram no acumulado do ano desempenho positivo de 12,09%.
O movimento, contudo, diverge das ações da Telefônica Brasil e TIM, que apresentam desvalorizações de 9,39% e 20,11%, respectivamente, em 2012. Apesar desse desempenho, os ativos da Oi seguem como um “patinho feio” no mercado, na berlinda das recomendações dos analistas. Mas o que leva essa percepção do mercado? Muitos especialistas ainda aguardam pelo turnaround operacional da empresa. A próximo divulgação de resultado da Oi já pode dar uma boa indicação se a companhia está melhorando seus números, mas até lá as ações seguem no escanteio.
Segundo o analista Carlos Müller, da Geral Investimentos, o desempenho superior das ações da Oi em relação à TIM e Telefônica está bastante relacionado ao esforço da gestão em realizar melhorias operacionais e de governança corporativa. Ele lembra, contudo, que a empresa possuía uma “qualidade de operação bastante insatisfatória”, bem como o nível de governança muito baixo e, justamente, uma “perspectiva de um turnaround operacional pode ter dado um ânimo renovado à OIBR4, além da realização do Investor’s Day, no final de abril, onde a empresa mostrou planos mais agressivos de crescimento e investimento”.
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Outro ponto levantado por Müller é que o anúncio de suspensão de chips pela Anatel prejudicou mais as ações da TIM, que desde então caem 16,11%.”O impacto na Oi foi marginal, dado que os estados afetados não tinham tanta importância nos resultados da companhia, além da empresa ter uma parte significativa de sua receita ligada à telefonia fixa [não prejudicada pela medida]”, afirma o analista.
Ele lembra, contudo, que qualquer reviravolta operacional traz riscos de execução e de não cumprimento de guidance, o que aumenta a desconfiança do mercado. Para os analistas Luis Azevedo e Tales Freire, do Bradesco, entre as três empresas do setor listadas na bolsa, a Oi é a que apresenta a maior relação risco-retorno, devido aos maiores desafios pela frente, com uma estratégia comercial mais agressiva e planos de melhoria na qualidade do serviço.
Disputa acirrada entre TIM e Telefônica Brasil
Para os analistas do Bradesco, a preferida continua sendo a TIM, devido ao bom potencial de valorização dos papéis, mas Oi e Telefônica Brasil estão com recomendação outperform (desempenho acima da média), embora aponte a última companhia como o player mais defensivo baseado em bons dividendos, que segue pelo segundo mês consecutivo na liderança entre as mais recomendadas nas carteiras de dividendos.
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Uma das principais razões para a preferência pelos papéis da TIM e Telefônica é também o baixo endividamento das companhias, quando comparado com a Oi, disse o analista Gabriel Ribeiro, da Um Investimentos. Além disso, ele aponta um bom potencial de valorização para os papéis nos próximos meses, que aliado aos bons fundamentos, devem deixá-los atrativos por um bom tempo.
Ao longo dos meses, “o papel TIMP3 refletiu uma série de notícias que abateram a empresa e o setor [troca de comando, suspensão da Anatel, corte da VU-M (taxa do uso de rede) e acusações de queda nas chamadas dos clientes Infinity], mas entendemos que o mercado possa ter apresentado uma reação exagerada a todos os eventos que pesaram sobre a empresa e que o efeito concreto destes já estejam embutidos nos preços das ações”, complementam os analistas da XP Investimentos.