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SÃO PAULO – No início, os rumores eram de que todos os 19 bancos norte-americanos submetidos ao teste de estresse iriam passar, o que provocou polêmica sobre a validade desses resultados. Depois, as especulações apontavam um ou outro banco que porventura precisariam de capital adicional, o que não foi recebido com bom humor pelo mercado – e acabou culminando no adiamento da divulgação dos resultados.
Agora, chegada a hora do anúncio oficial do governo – programado para esta quinta-feira (7) depois do fechamento dos mercados nos Estados Unidos – os mercados parecem já saber de antemão os resultados. Na última sessão, as especulações aumentaram e foi divulgado que Bank of America, Citigroup e Wells Fargo precisarão de capital, enquanto Morgan Stanley, JPMorgan, Goldman Sachs e Bank of New York Mellon estão bem capitalizados.
Os que esperavam uma reação negativa dos mercados em relação aos resultados dos testes de estresse até agora observam o contrário. “Por enquanto os mercados dos Estados Unidos conseguem passar muito bem por essa divulgação dos resultados dos testes de estresse”, declara Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, comentando sobre os rumores que encheram a última sessão.
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Sem mudança de viés
Considerando o momento positivo pelo qual os mercados acionários globais e especialmente os norte-americanos estão passando, a impressão que fica é que os resultados dos testes de estresse não devem ser um grande obstáculo.
“O mercado de certa forma se preparou para dados ruins. O fato do mercado não ter caído forte [na quarta-feira] com a informação do Bank of America de necessidade US$ 34 bilhões de capital é um bom sinal”, avalia Adriano Moreno, estrategista da Futura Investimentos. Ele acrescenta que nós estamos vivendo um período de euforia dos mercados, de forma que não prevê “uma realização forte por força dos resultados dos testes de estresse”.
Segundo Moreno, o mercado está muito mais sujeito a uma forte reação frente aos dados do Relatório de Emprego – a ser divulgado na próxima sexta-feira (8) – do que em relação às já antecipadas necessidades de recursos adicionais de grandes bancos.
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Ainda assim são notícias negativas
É claro que as previsões de uma boa reação dos mercados acionários frente aos resultados dos testes de estresse não significam que as notícias são positivas. Pelo contrário. Qualquer que seja o resultado, os testes trazem mais incertezas no curto prazo.
Desconfiança do mercado
O cenário “menos pior” seria o de que nenhum banco necessitasse de recursos adicionais. Entretanto, mesmo neste caso, a notícia poderia tomar um viés negativo. Ricardo Schweitzer de Paula Dias, analista da Adviser Asset Management, explica que os testes de estresse são baseados em modelos de risco. O problema é que, devido à situação excepcional que houve no ano passado, a validade desses modelos foi amplamente questionada.
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“Se efetivamente não surgirem problemas significativos, é provável que persista alguma desconfiança em função das questões metodológicas”, avalia o analista. Esse tipo de desconfiança foi visto no início de abril, quando a expectativa era de que todos os bancos passassem no teste.
Ruim e muito ruim
De acordo com Dias, se, ao contrário, os resultados mostrarem que os bancos necessitam de aportes de capital, a recepção disso ela pode ser ruim ou muito ruim, dependendo da origem desses recursos adicionais.
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“Se esses recursos fossem captados a mercado, mesmo com as dificuldades que se tem hoje no mercado de captação, seria “menos ruim” do que a hipótese dos bancos recorrerem aos recursos públicos”, comenta o analista, explicando que o aumento da participação do governo dentro dos capitais dos bancos eleva a possibilidade de haver uma menor orientação da gestão desses bancos para a criação de resultados.
Dessa forma, o pior cenário seria os testes apontarem que muitos bancos importantes precisarão de aportes – e aportes substanciais – de forma que a origem desses recursos será pública.
Dificuldades de captação
Como ressaltado por Dias, depois da divulgação dos resultados dos testes, o mercado vai olhar para as formas de captação desses recursos adicionais – se eles forem realmente necessários. Assim, vale observar também quais são as expectativas em relação a esse levantamento de capital.
Avaliando que é possível que haja alguma percepção de risco do capital privado em relação a investimentos nestes bancos, Dias afirma que existem capitais que, dada a devida diluição de risco, estariam dispostos a entrar. “Vale lembrar inclusive – e isso é uma coisa muito pouco falada hoje em dia – que tem gente comprando subprime. Ou seja, existem capitais dispostos a correr riscos, contanto que devidamente mensuráveis e controlados e com uma exposição limitada”, afirma.
Para Silvio Campos Neto, estas captações trazem incertezas, porém não suficientes para tirar o otimismo do mercado. “Pelos volumes envolvidos, o único banco que talvez tenha um pouco mais de dificuldade seria o Bank of America”, comenta, ressalvando que mesmo nessa situação há rumores de que o banco “pode obter parte disso com o próprio setor público, convertendo as ações preferenciais que o governo possui em ordinárias”.
De uma maneira ou de outra, depois da aguardada divulgação dos resultados dos testes de estresse, o mercado ficará na expectativa pelo anúncio de mais medidas. Porém, no caso de serem necessárias injeções de capitais adicionais em alguns bancos, isso deve ser detalhado ainda no curto prazo, já que não é de interesse nem do Federal Reserve nem dos próprios bancos que o mercado se movimente em meio a incertezas.