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SÃO PAULO – O resultado de 2012 da Petrobras (PETR3; PETR4) trouxe duas más notícias para os investidores: além da redução em praticamente 50% no dividendo distribuído para quem detém as ações ordinárias, a estatal mostrou uma queda de 36% no lucro em relação ao ano anterior, fruto da necessidade maior de importar derivados de petróleo.
Com a piora dos números da companhia, o natural é que os acionistas minoritários reclamassem do que tem ocorrido com a companhia – culpando o governo, acusado de usar a companhia para cumprir objetivos macroeconômicos. Contudo, ele diz, que, apesar dessas manobras governamentais, tudo que a Petro tem feito é, no mínimo, esperado. “Tem investidor que é infantil e não aprende como a Petrobras funciona”, afirma Juliano Carneiro, professor do site julianocarneiro.com.br e trader profissional.
“Muito se fala dos riscos de investir na Petrobras pelo fato de ser uma empresa estatal. São riscos claros e fortemente difundidos”, destaca o trader, destacando o fato de que a lógica da empresa já é conhecida por esses mesmos investidores que reclamam posteriormente. Mesmo assim, há entre eles quem opte a tomada de posição e acabam reclamando quando os resultados não agradam.
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Carneiro acredita que é essa a infantilidade desse tipo de investidor: conhecer o fogo, brincar com ele, se queimar e reclamar posteriormente. “É chato ver essas pessoas dizendo que estão sendo lesados e que o governo está destruindo a empresa. Isso pode até ser verdade, mas o que esperar de uma estatal? Que ela seja blindada dos interesses políticos? Pensar isso é infantil”, salienta.
Estrangeiro é mais “esperto”?
O professor faz até uma comparação do comportamento do investidor brasileiro com alguns grandes “gurus” conhecidos no mundo, como é o caso do megainvestidor George Soros, que zerou sua posição na Petrobras em 2010. “Alguns podem dizer que o Soros é um gênio e por isso previu e perdeu interesse na Petrobras. Mas a verdade é que o brasileiro é esperançoso. Ele acha que as coisas podem ficar melhores”, afirma.
E esse ponto ele salienta que o investidor estrangeiro que investe no Brasil não possui esse tipo de viés, o que mostra que neste aspecto, ele é mais pragmático. “Se formos pegar o fluxo de investimento estrangeiro, ele demonstra que esse grupo não está tomando partido da bolsa. Ele não compra de forma acentuada, pois, graças as inteferências do governo, a credibilidade do Brasil foi colocada em xeque”, diz.
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Há uma diferença de maturidade entre as estatais do Brasil e as empresas de governos estrangeiros em países desenvolvidos: geralmente estas são administradas por funcionários de carreira. Por aqui, muitas vezes os mais importantes executivos são indicações políticas – embora a presença de Maria das Graças Foster na presidência da Petrobras, em substituição ao indicado José Sergio Gabrielli, seja um sinal de possível mudança.
Perda de credibilidade atinge outros setores
Mas neste momento, os estrangeiros aproveitam para sair das estatais listadas na BM&FBovespa, além de outras ações que podem passar por novas intervenções estatais: um temor que tem atacado diversos setores, como o bancário, elétrico, petróleo, autopeças e educação.
“Ninguém quer entrar em um jogo sabendo que a regra pode mudar durante a partida”, alerta. No momento, o comportamento da economia nacional é bastante distinto do que é visto pelos governos de economias mais maduras, que possuem governos mais pragmáticos – que ao invés de anunciar medidas pontuais, tentam resolver de forma mais estruturante. “O Brasil é um País economicamente bipolar, alterna entre a alegria e a depressão”, destaca.