Contra ideia de Guedes

Taxar transações digitais prejudica indústria e estimula exclusão, diz VP da Visa

Ministro Paulo Guedes falou em tributar operações financeiras realizadas por meio digital, o que pode incluir pagamentos e inviabilizar certas fintechs

Cartões da bandeira Visa e Mastercard
(Pexels)

SÃO PAULO – A possível criação de um imposto sobre transações financeiras realizadas de maneira digital, pincelada na última quinta-feira pelo ministro da Economia Paulo Guedes, seria um obstáculo à evolução da indústria de pagamentos como um todo no país, opina Eduardo Abreu, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Visa no Brasil.

Para ele, todo o esforço que o Banco Central brasileiro (BC) fez nos últimos anos para estimular a criação de novas fintechs e a inclusão de brasileiros por meio de plataformas como contas digitais e serviços de pagamentos e transferências gratuitos para o usuário. Muitas fintechs se baseiam justamente no custo zero para atrair clientes da base da pirâmide, que antes não tinham meios de se incluir financeiramente.

Em conversa com o InfoMoney, Abreu lembra que 38% das transações financeiras no país já são feitas por meios eletrônicos, quase o mesmo tamanho dos pagamentos em dinheiro físico (40%). “Para a indústria isso é bom, porque gera relacionamento, o uso de dados; para o cliente é bom porque gera mais segurança e organização financeira; até para o governo é bom porque significa maior arrecadação e formalização da economia”, sustenta.

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“[Criar um imposto sobre transações digitais] desacelera esse crescimento e pode começar a ter o movimento contrário: estimular o retorno do dinheiro, cheque, essas coisas que são do passado”, alerta o executivo, lembrando que a cobrança oneraria diretamente a pessoa física. “Se a gente tem um pensamento de estimular a competitividade, a qualidade, mais opções e menores preços, acho que vai na contramão de tudo isso”, conclui.

A Visa, vale lembrar, levanta a bandeira das cidades com o mínimo possível de uso de cédulas de dinheiro. Segundo estudo recente encomendado pela empresa, o país teria benefícios da ordem de R$ 125 bilhões caso nossas cidades adotasse pagamentos digitais no mesmo nível das cidades mais avançadas do mundo nessas tecnologias.

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