Sucesso exploratório a novas tecnologias: momento é bom para Petrobras

Aumento de eficiência em Campos pode trazer a companhia de volta ao caminho da produção, avalia Credit Suisse
(Petrobras)
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SÃO PAULO – O momento parece ser positivo para a Petrobras (PETR3; PETR4). Embora tenha registrado prejuízo de R$ 1,346 bilhão no último trimestre – bastante abaixo do que se esperava – a companhia anunciou a descoberta da grande coluna de óleo presente no Carcará e conseguiu reajustar os seus preços. Maria das Graças Foster, presidente da companhia, adota uma postura de clareza que, até agora, tem agradado o mercado. 

De acordo com o Credit Suisse, são quatro os grandes temas que devem guiar o desempenho do setor de petróleo no Brasil: a campanha exploratória, a ressurgência dos farm-outs [venda de participação em blocos] das companhias, as oportunidades na Bacia de Campos e a maior competição entre os fornecedores de canos flexíveis. De todos esses fatores, três deles impactam diretamente a estatal, enquanto apenas o farm-out parece ser indiferente para Petrobras. 

Exploração tem melhora
De acordo com os analistas Emerson Leite e André Sobreira, o ano começou ruim em termos de exploração: sobretudo para a OGX Petróleo (OGXP3), Queiroz Galvão (QGEP3) e a HRT Petróleo (HRTP3). “Mas o sucesso da campanha exploratória parece ter voltado, liderado pela Petrobras, encontrando hidrocarbonetos tanto em áreas de pré-sal como em áreas de fronteira, como o nordeste brasileiro”, avaliam os analistas. 

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O Carcará é uma dessas boas descobertas: além de existir uma coluna de 400 metros de petróleo, conectada com diversos reservatórios, é possível que se encontre ainda mais hidrocarbonetos. Por enquanto, o Credit Suisse utiliza a quantia de 1,2 bilhões de barris de petróleo como referência para o Carcará. “Colunas de petróleo, porém, é apenas uma parte da história”, afirmam os analistas. Eles destacam que, embora os blocos de Iara e Guará contenham colunas maiores que Lula, é este último que possui o maior reservatório.

Além disso, é capaz que surja uma nova fronteira exploratória para o Brasil no nordeste. Na bacia do Ceará, o poço de Pecem parece promissor, enquanto alguns poços na área de barra, na região de Sergipe, também mostram boas referências. Além disso, o sucesso exploratório em alguns países da África ocidental podem trazer mais interesses nessas áreas – dado que geológos acreditam que ambas as regiões devem apresentar características semelhantes em termos de hidrocarbonetos.

Bacia de Campos, mais eficiente?
Outros dos principais fatores para a Petrobras, na avaliação de Leite e Sobreira, é o lançamento do Proef (Programa de Aumento da Eficiência Operacional da Bacia de Campos), que pretende aumentar a eficiência operacional por lá, aumentar a integração dos sistemas produtivos e a confiabilidade das novas metas propostas dos Planos de Negócios. “Esse programa deve ser doloroso no curto prazo, mas positivo no longo”, afirmam os analistas. 

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Oito poços na Bacia de Campos, conhecidos como “Super 8”, respondem por 20% de toda a produção nacional. Contudo, os analistas destacam que esses poços estão com volumes decrescentes – desde 2009, a produção já caiu 32% -, o que tem prejudicado o aumento da produção nacional, praticamente estável nos últimos meses. A perspectiva é que o Proef consiga retomar o crescimento da produção no longo prazo. 

Novas tecnologias
“Entendemos que a Petrobras tem conversado com maior detalhe com as prestadoras de equipamento sobre as estratégias específicas do Proef”, salientam. A companhia quer utilizar novas tecnlogias de separação de óleo e água e injeção de água nos reservatórios – que podem elevar a produtividade dos poços. Esse mesmo fator pode fazer com que a petrolífera apresente melhor produção nos próximos trimestres. 

Tecnologia de separação de óleo e água pode ser positiva para a Petrobras: atualmente, a companhia extrai 40% mais água do que petróleo de cada poço. Com esse tipo de tecnologia, a produção pode ser elevada no Brasil. A companhia já opera um protótipo dessa tecnologia no campo de Marlim. 

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Um fato positivo no campo tecnológico é a entrada da produtora Deepflex no Brasil, que fabrica canos flexíveis. De acordo com Leite e Sobreira, isso pode ameaçar o duopólio da Wellstream e Technip – que não tem conseguido cumprir as metas da Petrobras. Além disso, o cano produzido pela Deepflex é mais resistente a corrosões e insular. “Essa concorrência é desejada pela companhia, não só de um ponto de vista tecnológico e de custos, como também comercial e estratégico, por atrair mais fornecedores para o País”, finalizam os analistas.