Bovespa

Sucesso do IPO da Par Corretora reflete a falta de boas opções na Bolsa, diz gestor

Alta de 13% da ação marca a melhor estreia de uma empresa em mais de dois anos; falta de empresas defensivas no mercado explica parte deste sucesso

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SÃO PAULO – Foi o primeiro IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) do ano e em seu pregão de estreia a ação subiu mais de 10% e movimentou R$ 213 milhões na Bolsa – ficando atrás apenas de Petrobras, Itaú Unibanco, Vale, Ambev e Bradesco. Não há dúvidas sobre o sucesso do primeiro dia de negociação das ações da Par Corretora (PARC3), a corretora de seguros controlada pela Caixa Econômica Federal. A dúvida que fica é: como esta empresa da qual pouca gente tinha ouvido falar até a semana passada conseguiu a melhor estreia na Bolsa em quase dois anos e meio?

A resposta óbvia tem a ver com a demanda pelos papéis, que já dava sinais de força no booking, quando suas ações tiveram o preço de reserva elevado da faixa de R$ 11,25 a R$ 11,60 e acabaram saindo por R$ 12,33. Foi tanta procura que não teve papel para todo mundo que reservou, obrigando a companhia a fazer um rateio de 13,5925% para poder distribuir suas ações. Mas saindo do que todo mundo já sabe, uma parte da resposta tem a ver com o cenário atual da Bovespa, com alta volatilidade e pouca previsibilidade. 

Defensivas em falta
Quando a economia vai mal e a flutuação da Bolsa é muito forte, a escolha de um ativo para investir é mais importante do que nunca. Alguns migram para a renda fixa, buscando uma rentabilidade mais previsível – e bem atrativa, tendo em vista os altos níveis da taxa de juros – em nome de um risco quase nulo. No entanto, há aqueles que são verdadeiros apaixonados pelo mercado de ações, sempre buscando os papéis que performam melhor mesmo em tempos de crise. 

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Para estes, no entanto, as opções de “ações defensivas” – cujo desempenho é menos volátil e sua capacidade de valorização é alta no longo prazo – foram rareando nos últimos anos: as que estão no mercado já subiram demais, o que tira o ímpeto dos investidores em comprá-las por acharem que elas já estão “caras”; outras estão de saída da Bolsa: é o caso da fabricante de cigarros Souza Cruz (CRUZ3), que foi alvo de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) no começo do ano e deve deixar muitos investidores apaixonados por dividendos e lucros consistentes na saudade. A administradora de rodovias Arteris (ARTR3), também considerada um perfil bastante defensivo, também anunciou deve estar de saída, já que anunciou no começo de maio a intenção de fazer uma OPA. 

É por isso que, na opinião do sócio-gestor da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik, o IPO da Par Corretora foi tão bem-sucedido. “Com ações como Ambev e Cielo muito esticadas, a procura fica maior para papéis de empresas de setores mais resilientes”, explica. Ele lembra que o book do IPO da Par foi 10 vezes maior que a oferta, mostrando a força da demanda neste caso, e para o gestor, o ativo agora caminha para ter múltiplos no mesmo nível observado em BB Seguridade (BBSE3), empresa com pouco mais de dois anos na Bolsa e que já subiu mais de 100% nesse período. 

Setor bem visto
Analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger também elogia o setor ao falar do sucesso da corretora. “É 
um bom nicho de mercado. Seguro é um mercado interessante mesmo com a economia desacelerando”, afirma. Na própria Bolsa temos outros casos de “sucesso” dentro do setor: as ações da Porto Seguro (PSSA3), por exemplo, acumulam desde o fim de 2013 ganhos de 58,77%.

Não há como garantir o sucesso futuro das ações, mas por enquanto, analistas e gestores concordam: o investidor está procurando por ativos mais defensivos. Para quem já lida com um mercado chamado de “seguros”, é uma boa oportunidade.