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Theranos, startup que foi dos US$ 9 bilhões à falência em dois anos, deixará de existir

Segundo uma reportagem do The Wall Street Journal desta quarta-feira (5), a empresa deixará de existir depois de falhas tentativas de encontrar compradores para o negócio

Theranos
(Reprodução)

SÃO PAULO – A longa trajetória da Theranos, startup norte-americana que chegou a valer US$ 9 bilhões até ser acusada de fraude massiva, está próxima de chegar ao fim.

Segundo uma reportagem do The Wall Street Journal desta quarta-feira (5), a empresa deixará de existir definitivamente depois de várias tentativas de encontrar compradores para o negócio – foram consultados mais de 80 potenciais empresas, apurou o jornal, responsável por desmascarar todo o esquema de fraude da Theranos em 2015.

Um dos acionistas e diretores da Theranos, David Taylor, enviou e-mail para os funcionários da startup dizendo que “nenhuma dessas tentativas foi materializada em uma transação. Estamos sem tempo”. O WST publicou uma cópia do e-mail na íntegra.

A venda da empresa tinha como objetivo gerar caixa para pagar a dívida junto aos credores, estimada em US$ 60 milhões, e também a ex-investidores da empresa, que tiveram prejuízos de cerca de US$ 1 bilhão.

Em toda sua história, a Theranos recebeu mais de US$ 700 milhões em investimentos e chegou a ser considerada a startup mais promissora do mundo. Ela virou notícia em 2014 com a promessa de uma tecnologia exclusiva que baratearia e tornaria mais acessível exames de sangue e de outros tipos. Já no ano seguinte, entretanto, o WTS publicou um texto questionando a tecnologia e métodos laboratoriais da empresa, com depoimentos de ex-funcionários e provas de que eram fraudulentos.

Desde então, a empresa foi proibida de atuar no setor da saúde. Ela também está sendo investigada pela SEC (Comissão de Segurança e Câmbio) dos EUA – cujo papel é semelhante ao da CVM brasileira – por ter “ganhado dinheiro através de fraude elaborada e de muitos anos”, além de ter enganado ex-investidores.

Elizabeth Holmes, a CEO
Muito se tem a dizer também sobre Elizabeth Holmes, ex-CEO e fundadora da companhia e também a principal acusada de promover a fraude.

Aos 19 anos ela já trabalhava na tecnologia da Theranos e se tornou uma estrela do Vale do Silício pela “revolução” na saúde que propunha, sendo comparada até mesmo a Steve Jobs. Ela também estampou a capa da Forbes e foi eleita a bilionária “self-made” mais jovem dos Estados Unidos.

John Carreyrou, autor de um livro sobre a história da Theranos, disse em entrevista à revista Vanity Fair que Holmes têm fortes “tendências sociopatas” por ter mentido para outros executivos da companhia, os demitido quando descobriram a fraude e também de “inventar histórias” para a imprensa.

Não à toa, ela pode enfrentar anos de prisão e também foi proibida de atuar em qualquer empresa de capital aberto.

 

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