Impactos da Covid-19

Sindicatos temem demissão de 5 mil funcionários da Volkswagen; montadora estuda “revisão” dos acordos coletivos

De acordo com os sindicatos, cortes das quatro fábricas da montadora no país incluíram funcionários mensalistas, horistas e até mesmo terceirizados

SÃO PAULO – Na última quarta-feira (19), os sindicatos das quatro cidades onde a Volkswagen tem fábricas no Brasil afirmaram que a montadora apresentou uma proposta para cortar em 35% o número de funcionários no país, o que representa cerca de 5 mil funcionários dos 14,7 mil trabalhadores da empresa.

De acordo com as informações dos sindicatos das fábricas em São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP), São Carlos (SP) e São José dos Pinhais (PR), os cortes incluem funcionários mensalistas, horistas e até mesmo terceirizados.

Segundo a nota da assessoria de imprensa da montadora enviada à Bloomberg, a Volkswagen do Brasil está em processo de negociação com os sindicatos das fábricas, avaliando em conjunto medidas de flexibilização e revisão dos acordos coletivos vigentes.

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“O objetivo das conversas é adequação ao nível atual de produção, com foco na sustentabilidade das operações da empresa no cenário econômico atual, muito impactado pela pandemia do novo coronavírus”, informa a empresa em nota.

De acordo com os sindicatos, foram realizadas reuniões nos dois últimos dias e novos encontros já estão agendados. Segundo os sindicatos, a Volkswagen também propôs flexibilizar a jornada de trabalho, cortar os reajustes de salários, reduzir o pagamento de participação de lucros e resultados (PLR) e mudar benefícios como vale-transporte, vale-alimentação e plano médico.

O comunicado à imprensa ainda cita a estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que projeta uma e queda de 45% na produção de veículos em 2020, baixa de 40% nas vendas e recuperação do mercado projetada só para 2025 – evidenciando as dificuldades do setor em meio a crise causada pela pandemia.

Em julho, Pablo Di Si, presidente da Volkswagen na América do Sul, afirmou que a companhia teria “fôlego para mais alguns meses” antes de começar a discutir demissões e cortes no país. À época, o executivo afirmou que a empresa iria conversar com os sindicatos para realizar a adequação da força de trabalho.

“Se não tivermos uma melhora (nas vendas), teremos que adequar as fábricas, sim, mas essa será uma conversa que primeiro teremos com os sindicatos, no momento certo, ainda não tomamos uma decisão. E acho que vamos esperar mais um pouco para isso”, afirmou o presidente em live com jornalistas.

Segundo o presidente da Volkswagen, fornecedores da indústria são os mais frágeis de toda a cadeia, e alguns já “foram à falência” por causa da crise.

“Em termos de emprego, eu acredito que a indústria e a Volkswagen vão ter que se adequar ao mercado. Esperamos que melhore em julho, agosto. Ainda temos um fôlego de alguns meses com essa flexibilização laboral do governo”

Di Si ainda afirmou que a recuperação da companhia depende de uma “demanda real do mercado” e que a Volkswagen “fará de todo possível para postergar decisões envolvendo empregos”.

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