Sem explicações, ação da Lupatech dispara até 40% em 2013

Volume negociado também dispara e chega a mais de R$ 5 milhões em apenas um pregão; analista não descarta aquisição, mas vê conclusão como precipitada
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SÃO PAULO – Depois de perder mais da metade do valor de mercado em 2012, as ações da Lupatech (LUPA3) têm causado espanto neste início de 2013. Com oscilações muito fortes e um volume atípico, o papel chegou a disparar até 39% em apenas uma semana, mas perde força e agora acumula ganhos de 15% no ano, segundo cotação de fechamento de terça-feira (8).

O volume negociado por dia, que era em torno de R$ 300 mil antes do Natal – levando em consideração os últimos 21 pregões -, desde então se aproxima de dobrar, chegando a marca dos R$ 500 mil.

O mais surpreendente é que os participantes do mercado não encontram nenhuma explicação para essa movimentação. Ao conversar com diversos analistas do setor, nenhum soube explicar o motivo dessa forte movimentação à InfoMoney.

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Eles, inclusive, ressaltam a dificuldade para entrar em contato com a companhia – procurada pela InfoMoney, a Lupatech esclareceu que o diretor de relações com investidores está no exterior e retorna ao Brasil apenas na próxima semana.

Movimentação atípica da Lupatech
Data Oscilação Volume
02/01 0,00% 0,378 milhão
03/01 +7,27% 0,609 milhão
04/01 +18,64% 4,69 milhões
07/01 +3,81% 5,55 milhões
08/01 -11,47% 2,50 milhões
09/01 -1,55% 3,03 milhões

Mas em resposta a questionamento da BM&FBovespa, o diretor de relações com investidores da Lupatech, Ricardo Mollo, diz que “não tem conhecimento de fato que justifique o comportamento das ações”.

As ações já vêm apresentando oscilações fortes há um certo tempo. Entre setembro e novembro, por exemplo, as ações caíram por dez semanas consecutivas, acumulando perdas de 42,7%.

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“Considerando um valor de mercado de R$ 342 milhões, seu atual backlog [carteira de pedidos] e ativos, vemos como factível a desconfiança do mercado em relação a uma eventual aquisição, mas julgamos esta conclusão como precipitada”, escreve em relatório a equipe da XP Investimentos.

Eles lembram que os motivos para esse rali de alta podem ser muito distintos, desde a entrada de um novo acionista até uma operação de fusão e aquisição. De qualquer modo, tendo em vista a volatilidade recente dos papéis, eles recomendam cautela aos investidores.

Um analista que preferiu não se identificar lembra que recentemente a empresa divulgou uma série de comunicados positivos, como a venda de ativos não estratégicos e a entrada da GP Investments no grupo de controle, mas que a situação financeira dela continua delicada.

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A empresa tenta, ainda, conseguir com seus debenturistas o perdão em algumas regras de endividamento, mas no fim de dezembro ela não conseguiu quorum em assembleia para a votação.

Ela deve seguir alguns índices de liquidez, como uma relação dívida líquida/Ebitda igual ou menor que 3,5 vezes, um Ebitda/receita operacional líquida igual ou maior que 20% ou um índice de liquidez corrente igual ou maior que 1,5 vez. Se desrespeitar dois desses itens a empresa pode ter que arcar com o vencimento antecipado de suas debêntures.