Sem Eike e nas mãos dos alemães, ação da MPX poderá “destravar” na bolsa?

Apesar da diminuição do "risco X", analistas alertam para problemas operacionais da empresa e acreditam que ações ainda não estão em um bom ponto de entrada

Pecém II (Foto: Divulgação)
Pecém II (Foto: Divulgação)

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SÃO PAULO – Com o risco “X” diluído da MPX Energia (MPXE3), a dúvida que aparece no mercado agora é se a ação da empresa finalmente teria seu valor “destravado” na bolsa. A percepção dos especialistas, que veem a saída de Eike Batista no cargo de presidente do conselho e membro do conselho de administração da empresa como um grande passo para a companhia, diverge, entretanto, em relação às projeções para a ação. 

Embora sua volatilidade não fosse tão alta, seus papéis também sofrem na bolsa juntamente com os demais do Grupo EBX: no acumulado do ano, as ações registram desvalorização de 35,26% até o fechamento da última terça-feira (16), enquanto OSX Brasil (OSXB3), OGX Petróleo (OGXP3), MMX Mineração (MMXM3), LLX Logística (LLXL3), CCX Carvão (CCXC3) carregam perdas de 89,11%, 88,81%, 69,89%, 69,58%, 61,46%, respectivamente.

Segundo o professor de finanças do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais), Gilberto Braga, a saída de Eike e a mudança de nome da companhia pode trazer uma nova cara ao ativo. “O mercado vem recebendo bem essas mudanças na empresa. A figura de Eike vinha sendo dilapidada rapidamente, sendo muito importante dissociar a imagem do empresário da companhia neste momento, que me parece a mais sólida do grupo. Isso mostra que existe margem de manobra e alguns projetos podem ser interessantes e levados para frente”, disse. 

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Já a analista Beatriz Nantes, da casa de research Empiricus, ressaltou que, operacionalmente, a MPX continua a mesma. “Embora tenha sido positiva a saída de Eike, a companhia ainda apresenta algumas fragilidades financeiras”, alerta. Apesar de se desenhar o final do pico da turbulência das empresas “X”, a analista reitera a necessidade de se evitar as ações da empresa por ora.

De olho na dívida
O momento, com isso, é delicado para a empresa, que ainda enfrenta um endivididamento elevado – as dívidas de curto prazo somam R$ 2,342 bilhões -, mesmo que a percepção de risco Eike e a oferta de ações tenham sido liquidadas.

Entretanto, o cancelamento da oferta de ações de R$ 1,2 bilhão, substuída para uma oferta privada, foi visto de forma positiva pela analista. Segundo ela, o “follow on” seria bom para a empresa, mas devido às condições ruins do mercado e sem as garantias do BTG Pactual (BBTG11), é melhor realmente ser evitado. 

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Avaliação semelhante é apresentada pela Citi Corretora, que reforçou sua recomendação neutra para os papéis, enquanto cortou o preço-alvo de R$ 12,30 para R$ 7,70, reflentindo a diluição das ações com o anúncio da oferta privada, estimativas de crescimento mais lento na Bacia do Parnaíba devido ao balanço da OGX e ao risco de que a E.ON não possa contribuir mais com o capital ou consolidar a MPX no médio prazo. 

Apesar dessas questões, Braga lembra que a companhia vinha conseguindo driblar as dificuldades do Grupo EBX, mostrando ser bastante agil para os investidores. Além disso, ele ressalta que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deve continuar como um dos principais credores da empresa, o que é visto como positivo. “É um dinheiro barato para a companhia, o que também contribui atrair novos investidores”, comenta. 

Na última nota divulgada à imprensa neste mês, o BNDES informou que o total das operações contratadas com o Grupo EBX é de R$ 10,4 bilhões, mas nem tudo foi liberado. No que diz respeito às participações acionárias, o banco, que hoje detém 10,34% do capital total da MPX (fatia em torno de R$ 440 milhões), seguirá o aumento de capital e pode inclusive elevar sua participação na companhia.

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Entenda a empresa
A MPX já não pode mais ser chamada de pré-operacional – com 1,7 GigaWatts de capacidade instalada em operação, implicando receita fixa de R$ 878 milhões por ano (parte MPX). Segundo Beatriz, o ramp up da companhia deve culminar em 2014, quando a maior parte do parque já estará funcionando e a receita fixa vai atingir R$ 1,4 bilhão.

Embora seja uma empresa de energia, a empresa está à margem da MP 579 (responsável por jogar para baixo boa parte as ações do setor no ano passado), uma vez que não possui nenhuma concessão anterior a 1999. De acordo com a analista, o racional da empresa é bem interessante, tendo em vista que é uma boa forma de se expor ao call de termelétricas, tem vantagem comparativa frente às demais pelo caráter integrado do gás e o recente acordo com a E.ON, que além de capitalizar a empresa, traz expertise elevada no setor elétrico do grupo alemão.