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(SÃO PAULO) – O Banco do Brasil e a BB Seguridade anunciaram nesta segunda-feira, em dois fatos relevantes distintos, a assinatura de memorando de entendimento para ampliar a oferta de serviços bancários e seguros nas agências dos Correios. Desde janeiro de 2012, milhares de agências dos Correios já funcionam como correspondente bancário do BB. Mas a parceria é limitada porque o Banco Postal, na verdade, não é um banco – funciona como correspondente bancário e só é chamado de banco no nome de fantasia.
Como correspondente bancário, as agências dos Correios que estão inseridas dentro do Banco Postal podem prestar serviços financeiros limitados. Hoje são oferecidos nesses locais conta corrente, poupança, crédito ao consumidor, cartão de crédito, pagamentos e recebimentos. A ideia agora é oferecer todo tipo de serviço nessas agências postais, incluindo também seguros, previdência, capitalização, financiamentos rurais, crédito imobiliário, crédito educativo (Fies) e cartões pré-pagos, entre outros.
Se o plano for concretizado, o vice-presidente de Negócios de Varejo do BB, Alexandre Abreu, disse que o banco poderia praticamente dobrar sua rede de atendimento a um custo muito mais baixo do que teria se investisse em agências próprias. Hoje o banco tem 5.400 agências e 1.750 postos de atendimento com funcionários (PAB). Já os Correios possuem 6.000 agências próprias e mais 1.000 franqueadas. “Em princípio, a rede do banco dobra”, diz Abreu. “Uma grande motivação nossa é a diminuição da necessidade de caixa para investimento em novas agências nos próximos anos.”
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O plano das duas estatais é realizar estudos conjuntos para identificar quais produtos serão oferecidos em cada agência postal. Em cidades em que a agricultura é muito forte, por exemplo, faria todo sentido passar a oferecer produtos de crédito ao financiamento rural como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Os produtos de seguros, previdência e capitalização estão entre os que mais poderiam ser explorados. “Em alguns pontos podemos ter um corretor exclusivo dentro da agência postal. Em outros casos, podemos usar um preposto, já que o mercado de seguros tem modelos mais flexíveis. Mas, em princípio, poderíamos estar em todas as agências postais”, afirmou Marcelo Labuto, presidente da BB Seguridade.
O mercado reagiu de maneira distinta aos fatos relevantes. As ações da BB Seguridade (BBSE3) operavam, às 12h03, com alta de 0,70%, para R$ 24,29, enquanto os papéis do BB caíam 1,74%, para R$ 24,22. Para a equipe de análise da XP Investimentos, neste momento a parceria não deve gerar impacto nas cotações porque nada não foi concretizada. Mas o potencial de resultados é positivo no médio e longo prazo.
Banco Postal
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As agências postais estão em todos os municípios do Brasil. O BB informa que a parceria atual no formato de correspondente bancário tem funcionado principalmente para bancarizar brasileiros das classes C e D em locais onde a presença de instituições financeiras ainda não é tão forte. Mas mesmo moradores de São Paulo ou Rio de Janeiro usam os serviços do Banco Postal quando não há uma agência do próprio BB tão próxima.
O BB venceu o processo de licitação para usar, por cinco anos, a rede dos Correios na distribuição de produtos bancários em abril de 2011, concordando em pagar R$ 2,3 bilhões. A parceria começou a valer em 2012 – antes o Bradesco é quem tinha esse direito. O entendimento do banco agora é que, nesse modelo de licitações a cada cinco anos, o vencedor não consegue explorar todo o potencial da parceria, já que a instituição financeira acaba fazendo um esforço muito grande para captar o cliente e, depois, pode perdê-lo caso o Banco Postal mude de parceiro. “Um contrato que precisa ser renovado periodicamente traz fragilidades para a operação”, diz Cleucio Santos Nunes, vice-presidente jurídico dos Correios. “Várias empresas de correio no mundo já vem operando no segmento financeiro. A gente quer fazer o mesmo.”
A ideia agora é chegar a um formato de parceria até o final do primeiro semestre de 2014 em que os Correios possam atuar como banco e sejam sócios do BB na empreitada – cada parte teria 50% das ações. O negócio precisaria ser aprovado pelo Banco Central, Cade e vários ministérios. “Uma parceria levada para a perpetuidade nos daria a chance de fazer muito mais dinheiro”, diz Abreu, do BB.