Publicidade
SÃO PAULO – A Eletropaulo (ELPL4) vive um momento conturbado – mais pelo seu noticiário que pelos negócios -, após a troca de comando e rumores de que a empresa pode estar à venda (fato negado pela companhia). Com seu balanço programado para ser divulgado na noite desta terça-feira (23) a Eletropaulo pode marcar um momento em que, apesar de números ruins, apresente uma ótima oportunidade para os investidores.
É assim que o relatório do Bradesco tem início. Para o analista Paulo Ferreira, a Eletropaulo mostra um atrativo potencial de upside, mas mesmo assim seu quarto trimestre deve se mostrar fraco. “A companhia deve relatar volumes fracos, ainda como resultado das dificuldades macroeconômicas atuais e tarifas elevadas. Nós estimamos que o volume total deve cair de 8%”, disse no documento.
O analista espera que o Ebitda da companhia (excluindo quaisquer efeitos contábeis não recorrentes) deve atingir R$ 212 milhões, o que representa uma queda de 58% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo Ferreira, a Eletropaulo deve encerrar o quarto trimestre com um prejuízo de R$ 51 milhões.
Continua depois da publicidade
Apesar da visão negativa sobre o balanço, o Bradesco mantém uma recomendação ouperform (desempenho acima da média do mercado) para a Eletropaulo, com três razões para isso: i) valuation barato; ii) potencial para capturar grande valor, tanto da recuperação de energia ou iii) a partir da queda das taxas de juro de longo prazo. Porém, o caso jurídico envolvendo a Eletrobras pode trazer volatilidade para as ações, alerta o analista.
Caso da venda da empresa
No último dia 17, a Eletropaulo comunicou ao mercado que seu presidente, Britaldo Pedrosa Soares, que também comanda o grupo AES Brasil, estava deixando a companhia. Porém, o que chamou atenção do mercado foi uma matéria da Folha de S. Paulo, que afirmou que, por conta disso, a companhia elétrica estava à venda, junto com a AES Sul. A informação foi negada pela empresa, mas não “convenceu” completamente o mercado.
A publicação disse que os principais ativos que ficarão à venda serão as distribuidoras, mas há também a possibilidade de que a geradora AES Tietê também fique à venda, com a mudança de estratégia do grupo. As empresas do grupo pertencem à holding AES Brasil e ao BNDES, que possui 53,85% das ações totais, mas uma ordinária a menos que a holding, o que dá o poder de decisão à companhia americana.
Continua depois da publicidade
Para o Bradesco, o processo de reestruturação da AES no Brasil tem como objetivo central seguir estratégias distintas para os braços de geração e distribuição, o que torna até lógico a possibilidade de um crescimento focado na AES Tietê, se desfazendo assim de ativos como a Eletropaulo e a AES Sul. Neste caso, o analista do banco ressalta que os acionistas minoritários da Eletropaulo irão se beneficiar de 100% de tag-along.
Sobre a notícia, o banco ainda vê a CPFL como uma forte candidata a assumir esta aquisição. “Em nossa opinião, a CPFL seria uma candidata natural para adquirir a AES Eletropaulo (e AES Sul), devido à sua localização geográfica”, afirma Ferreira. “Embora a CPFL possua atualmente uma alavancagem limitada (3,5x dívida líquida/Ebitda), ela pode optar por financiar o negócio através de uma oferta de ações”, conclui o relatório.
Leia também:
Continua depois da publicidade
InfoMoney atualiza Carteira para fevereiro; confira
André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa