Santander corta recomendação da Vale para neutra, após perda judicial

Mudança se baseia em atraso de projetos, aumento dos gastos e cobrança de R$ 30 bilhões em tributos de subsidiárias

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SÃO PAULO – Baseado nos maus resultados da companhia no quarto trimestre, nos atrasos dos projetos, e na cobrança de tributos sobre lucros de controladas e coligadas no exterior, o Santander reduziu a recomendação da Vale (VALE3;VALE5) de compra para neutra. Com isso, o banco retirou a mineradora da lista de top picks do setor, possuindo preço-alvo para as ações preferenciais da companhia de R$ 48,00, o que configura um potencial de valorização de 19,49% em relação ao fechamento de terça-feira (6).

A maioria dos analistas ainda mantém a recomendação de compra para os ativos da Vale, devido aos fortes fundamentos da companhia e pelo seu atrativo valuation. Entretanto, os analistas Felipe Reis e Alex Sciacio divergem do consenso ao acreditarem que os retornos dos projetos estão caindo e os múltiplos da mineradora não são positivos quando se avalia a média dos últimos três anos.

Os analistas veem ainda a cobrança de parte do imposto de renda e da contribuição social das subsidiárias da empresa no exterior – relativos aos anos de 1996 a 2002 -, como um possível fator gerador de overhang (excesso de oferta) para os papéis da companhia. Segundo os analistas, a percepção de risco sobre esse pagamento de impostos, no valor de R$ 30 bilhões, aumentou significativamente na sequência das recentes perdas judiciais. 

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Expectativa de melhora nos preços não anima
Apesar das expectativas de aumento dos preços à vista do minério de ferro em 2012, os analistas acreditam que a mineradora não terá fortes ganhos no curto e no médio prazo, pois esperam um fraco crescimento no volume de vendas da commodity, devido à forte valorização do real frente ao dólar. Além disso, Reis e Sciacio destacam que a inflação e os aumentos dos gastos limitarão os lucros da empresa.

As estimativas do ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) e do ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) da empresa também estão em queda, vindo de patamares de 27% e 23% entre 2004 e 2011 para uma expectativa de 18% e 17%, respectivamente. Para Reis e Sciacio, os níveis mais baixos de retornos e a questão tributária devem ser precificados pelos investidores, levando a um desconto dos múltiplos dos papéis em relação à sua média histórica e das empresas do setor. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.