Dívida bilionária

Samarco planeja adiar negociações com credores, dizem fontes

Credores de US$ 2,2 bilhões em bônus inadimplentes e de US$ 1,6 bilhão em empréstimos e outras obrigações da empresa concordaram com o adiamento, dada a incerteza sobre passivos e multas que a Samarco pode estar sujeita, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é confidencial

(Bloomberg) — A mineradora Samarco, joint venture controlada pela Vale (VALE3) e BHP, adiou as negociações para a reestruturação de uma dívida de US$ 3,8 bilhões até pelo menos novembro, segundo três pessoas com conhecimento do plano.

Credores de US$ 2,2 bilhões em bônus inadimplentes e de US$ 1,6 bilhão em empréstimos e outras obrigações da empresa concordaram com o adiamento, dada a incerteza sobre passivos e multas que a Samarco pode estar sujeita, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é confidencial. A Samarco, cujas operações estão suspensas desde o rompimento da barragem em Mariana em 2015, só vai ter uma ideia clara sobre esses números no fim de outubro, disseram duas pessoas. A situação está sob controle e as negociações podem ser retomadas antes se as circunstâncias mudarem.

A assessoria de imprensa da Samarco não quis comentar em resposta por e-mail. Representantes da Vale e da BHP também não quiseram dar entrevista.

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A empresa, cuja dívida total somava R$ 18,5 bilhões (US$ 4,6 bilhões) em 31 de dezembro de 2018, disse que a retomada das operações “exigirá financiamento e uma reestruturação adequada de nossas obrigações financeiras, como as dívidas em negociação com nossos credores,” segundo comunicado da empresa à CVM. “A Samarco esclarece que nenhum acordo consensual foi alcançado e que retomará as negociações no tempo oportuno.”

Assessores jurídicos e financeiros da reestruturação foram informados de que as comissões serão suspensas a partir deste mês até segunda ordem.

As negociações entre a empresa e os credores começaram em novembro, e a Samarco arcou com os custos de todas as partes envolvidas. Mas as negociações foram interrompidas de forma abrupta no fim de janeiro, quando a Vale foi atingida por um acidente ainda pior em uma de suas minas em Brumadinho, também em Minas Gerais.

O rompimento da barragem em Brumadinho matou mais de 240 pessoas, enquanto outras 40 continuam desaparecidas. A tragédia de Mariana em 2015 matou 19 pessoas e contaminou águas subterrâneas na região, sendo considerado o pior desastre ambiental do país até o momento.

A joint venture espera conseguir as autorizações necessárias da Justiça para recuperar sua licença até setembro. Se aprovada, as operações podem ser retomadas entre meados e fim de 2020, disse o diretor financeiro da Vale, Luciano Siani Pires, em teleconferência com analistas.

O JPMorgan Chase, que assessora a Samarco na reestruturação, não quis comentar. Outras empresas que trabalham na reestruturação da dívida incluem: Clifford Chance, FTI Consulting, Houlihan Lokey e o escritório de advocacia Padis Advogados.

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O valor dos títulos de US$ 1 bilhão da Samarco com vencimento em 2022 despencou mais de 30% após o acidente de Brumadinho, para cerca de 52 centavos de dólar. Os títulos com cupom de 4,125% vencendo em 2022 eram negociados a 73 centavos de dólar na quarta-feira, quase o mesmo preço antes do acidente, mas caíram quase 2 centavos, para 71 centavos de dólar na quinta-feira após a notícia. Os títulos da Samarco com cupom de 5,75% com vencimento em 2023 também caíram quase 2 centavos para cerca de 74 centavos de dólar. Fundos de dívida distressed, como Solus Recovery Fund, York Total Return e Silver Point Capital Fund, entraram na reestruturação depois de comprar títulos detidos por bancos japoneses.

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