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SÃO PAULO – Depois de um 2015 de apreensão do mercado em função dos riscos atrelados à falta de chuva em São Paulo, a Sabesp (SBSP3) parece voltar a ganhar espaço nos relatórios de bancos e corretoras. Depois de uma entrevista animadora do presidente da companhia ao Valor, que deixou espaço para aumento de tarifa para consumidores mais ricos, incluindo a indústria, o Credit Suisse elevou a recomendação da companhia para equivalente a compra (“outperform”) nesta segunda-feira (18), no que o banco chamou de “call com alta convicção”.
Uma onda de otimismo que fez preço na Bolsa, levando as ações da companhia a subirem 6,10% na máxima do dia, a R$ 18,87. Às 11h22 (horário de Brasília), os papéis subiam 4,07%, a R$ 18,42 – figurando como a segunda maior alta do Ibovespa.
No relatório, os analistas do Credit trazem uma visão bem positiva para a ação, citando uma “melhora substancial dos resultados neste ano”, em função praticamente de um fator: “recente melhora do nível dos reservatórios”.
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Para eles, isso vai permitir a companhia reforçar sua estratégia tanto em relação aos volumes quanto em relação aos preços (visão que vai em linha com a entrevista do presidente da Sabesp ao Valor), permitindo uma aceleração na sua recuperação.
Uma leitura que fez com que os analistas elevassem em 50% a projeção de Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia para 2016, enquanto dobraram o LPA (Lucro Por Ação) para este ano, levando o preço-alvo de R$ 21,00 para R$ 24,00 por ação, o que representa um potencial de alta de cerca de 35% no papel.
O que fundamenta esse “call”?
Os analistas veem 3 fatores que podem suportar uma recuperação mais acelerada da companhia este ano. São eles:
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1) Recuperação bastante consistente nos primeiros dias de temporada de chuvas no País, que levou o Sistema Cantareira, principal reservatório da empresa, acima de 30% da sua capacidade e 18 pontos percentuais em relação a três meses atrás. Com 100 dias ainda pela frente e com o El Nino fazendo a sua parte, as perspectivas seguem boas em relação ao volume de chuvas, que até o momento estão em geral próximos ou pouco acima da media histórica, disseram.
2) Uma sequência de medidas recentes adotadas em relação à política de descontos e multas tomadas pela gestão da empresa no mês passado. Desde o início do ano, a Sabesp tornou os descontos bem mais difíceis de serem atingidos, ao mesmo tempo que manteve as condições para aplicações das multas por excesso de consumo. Somente essas medidas podem levar a companhia a um aumento de Ebitda da ordem de R$ 600 milhões em 2016, avaliam.
3 ) As renegociações com os municípios que possuem débitos com a Sabesp, que seria outra potencial fonte de receita adicional no curto/médio prazo.
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O que poderia dar errado?
Segundo os analistas, o que poderia ir contra a análise seria, basicamente, o dólar subir mais do que R$ 4,70. Isto porque a Sabesp tem hoje 40% de sua dívida atrelada à moeda americana, que se encontra em aproximadamente R$ 12,5 bilhões, levando a empresa a apresentar uma relação de dívida líquida/Ebitda próxima de 3,5 vezes, contra covenants de 3,65 vezes. Segundo eles, cada elevação de 10 centavos de dólar no câmbio altera em 0,8% o preço-alvo da ação.
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