“Sabemos que temos mercado para nosso minério”, diz MMX

Após anunciar plano de investimentos, empresa disse esperar boas condições para financiamento de Serra Azul

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SÃO PAULO – Na manhã desta segunda-feira (13), a MMX (MMXM3) anunciou a aprovação do plano de investimentos no valor de R$ 3,5 bilhões para o projeto de expansão da Serra Azul, enquanto realizou uma estimativa de investimento no valor de R$ 1,5 bilhão para o projeto de Bom Sucesso.

O projeto de expansão de Serra Azul prevê a construção de uma nova planta de beneficiamento com capacidade para 24 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, um terminal ferroviário e dez quilômetros de correia transportadora para transporte da mina ao terminal rodoviário, disse a empresa.

Durante teleconferência com acionistas, o diretor presidente e de Relações com Investidores da companhia, Roger Downey, disse que esse plano de investimento foi resultado de muito trabalho nos últimos 12 meses, principalmente, já que anteriormente trabalhava-se com uma capacidade de 16 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em Serra Azul. 

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Condições de financiamento
De acordo com o executivo, a estimativa é que o projeto entre em operação na segunda metade de 2013. Durante a apresentação, Downey esclareceu que ainda faltam algumas licenças, como a de instalação, mas que isso não deverá ser um obstáculo ao prazo estabelecido. Já o projeto de Bom Sucesso, que não inclui logística, deverá começar a operar somente em 2015. 

Para financiar esses projetos, foi contratado um sindicato de bancos como assessor financeiro, que proverá diretamente US$ 800 milhões do valor total de US$ 1,4 bilhão projetado. O restante deve ser obtido, com auxílio dos assessores, perante instituições tais como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Banco de Desenvolvimento da China. A perspectiva é que essas outras linhas ofereçam bons termos e tempo de maturação suficientes para financiar o projeto. 

De acordo com Downey, no momento a MMX já tem mais recursos do que o necessário para o financiamento do projeto, mas estão olhando o pacote mais competitivo possível, em que serão utilizados como benchmark os R$ 800 milhões que serão tomados com o consórcio de bancos. O presidente da companhia ainda explicou que não necessariamente a MMX terá que utilizar esse montante oferecido, podendo preterir esse financiamento por outras linhas que porventura sejam mais baratas. 

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A definição do restante das linhas de financiamento, o que não deverá ocorrer antes de fevereiro, segundo Downey, não irá atrapalhar a execução dos projetos, já que parte dos pedidos de equipamentos, por exemplo, já está sendo feita. “O fato de que não temos 100% do financiamento não quer dizer que teremos que esperar até lá” para executar o projeto, apontou o executivo. 

Consolidação
Durante a teleconferência, Roger Downey ainda reforçou que os números apresentados durante a manhã não incluem o impacto de consolidações com outros empreendimentos. Um exemplo é a mina Pau de Vinho, que deve ter a necessidade total de investimentos diminuída por causa de sinergias com Serra Azul, embora o diretor tenha esquivado-se de precisar números.

“Não quero dar estimativas pouco corretas, mas nossa expectativa é que a queda de intensidade de capital será menor, e quanto mais crescermos mais isso ocorrerá”, declarou. O capex de Serra Azul prevê necessidade de US$ 79 por cada tonelada produzida. Em relação ao câmbio de R$ 1,85 previsto pelo plano de investimentos, Downey não vê muitos riscos porque no máximo 20% será em dólares e, ainda assim, existem alternativas domésticas para equipamentos que por enquanto têm previsão de serem importados. 

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Porto Sudeste
Passando ao Porto Sudeste, em que foi anunciado ampliação da capacidade do pátio de estocagem de 50 para 100 milhões de toneladas de ferro por ano, Downey disse não poder, por causa de termos de confidencialidade com o dono do terreno de aproximadamente 150 mil metros quadrados adquirido, anunciar agora o custo da aquisição das terras. Mas Downey acredita que haverá demanda para a segunda fase do projeto, especialmente porque não “haverá porto para todo mundo”. 

Em sua visão, uma parte da capacidade já foi tomada, após contratos como o de prestação de serviços portuários para a Mineração Usiminas, uma subsidiária da Usiminas (USIM3, USIM5), o que deve contribuir para que empresas menores procurem soluções logísticas, alavancando o número de contratos assinados no próximo ano. 

Downey também apresentou tom otimista em suas considerações finais, afirmando que houve uma retomada desde 2009, pois desde então a companhia entregou projetos, assegurou financiamentos, passou a contar com dois acionistas importantes (além do grupo controlador, o EBX, fazem parte da estrutura da MMX a SK Networks e a Wuhan), com contratos de compra do minério de ferro produzido pela MMX por essas companhias, o que dá certo conforto à empresa. 

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“Sabemos que temos mercado para o nosso minério, que temos que entregar nossos projetos e que nossos acionistas querem isso o quanto antes”, afirmou Downey, o que permitiu também aumento da visibilidade em torno da estratégia da administração, concluiu.