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SÃO PAULO – Revisão tarifária é um processo por qual toda companhia de energia elétrica passa a cada 4 anos. Considerando a base de cálculo, a surpresa não deveria ser tanta com o anúncio das mudanças nas tarifas. Porém, o setor elétrico tem sofrido com revisões abaixo do esperado, fato que tem preocupado os investidores e trazido tensão a cada nova divulgação dos reajustes.
Por outro lado, surpresas positivas também podem ocorrer, como foi na última semana. No dia 5 de novembro, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou um aumento médio de 3,65% nas tarifas da Light (LIGT3), notícia que surpreendeu positivamente os analistas e os investidores. Para os analistas Vinicius Canheu e Pedro Manfredini, do Credit Suisse, o destaque positivo ficou para a curva de perda comercial melhor que a esperada.
Segundo eles, essa mudança contribuiu para um aumento de R$ 400 milhões no RAB (base de ativos auditados) da companhia. Além da curva de perda, a Aneel também incorporou no reajuste uma receita incremental da Light, que deverá ser direcionada para investimentos para redução de perda. Para o Credit, isso vai trazer as perdas implícitas nas tarifas para até 40% para todo o ciclo regulamentar (2013-2018).
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Light fica mais forte
Já os analistas Antonio Junqueira e Joao Pimentel, do BTG Pactual, destacou que um dos fatores positivos no reajuste da empresa ficou para o “perdão” que a Aneel teve em relação à perdas significativas de energia, que poderiam custar R$ 150 milhões por ano para a Light durante este ciclo. Porém, o órgão regulador fez com que a empresa de dedicasse a realizar investimentos para resolver esta situação.
Nesta semana, o presidente da Light, Paulo Roberto Pinto, declarou que a companhia deve investir R$ 2 bilhões nos próximos cinco anos para combater as perdas na distribuição de energia com o intuito de cumprir as especificações da Aneel para este ciclo tarifário.
Eles destacam que esse “perdão” não deve trazer uma melhora no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia, já que a própria Light já avisou que as perdas energia devem ser deduzidas da receita bruta, fazendo com que os números fiquem em linha com um cenário sem o “perdão”. Por outro lado, os analistas do BTG acreditam que o valor perdoado pode ser bastante positivo durante esses quatro anos do ciclo em caso de necessidade de investimento por parte da empresa.
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A dupla do Credit ressalta que essa revisão positiva não deve ter tanto impacto no resultado da Light, mas que a medida é benéfica para a empresa porque aumenta o “poder de fogo” da companhia para aliviar os prejuízos e problemas de qualidade, além de permitir uma gestão mais confotável dos altos níveis de endividamento da empresa.
Por fim eles destacam que a Light foi bastante prejudicada com um mercado pessimista em relação ao reajuste, esperando que ele viesse baixo. Com isso, o Credit Suisse recomenda compra dos ativos LIGT3 projetando um melhor ambiente de trabalho para a empresa durante os próximos cinco anos.
Resultado também ajuda
Na última sexta-feira, a Light divulgou seu resultado do terceiro trimestre, o que também se mostrou positivo na visão dos analistas. A companhia teve um lucro líquido de R$ 121,2 milhões no período, alta de 44,1%, na comparação anual, impulsionada pelo crescimento do mercado e redução nas provisões. Considerando o aporte da CDE, homologado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na revisão tarifária, o lucro líquido da Light foi de R$ 321,5 milhões, alta anual de 282,1%. A média de estimativas de cinco analistas consultados pela Reuters apontava para lucro de R$ 145 milhões.
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Com isso, os analistas do BTG Pactual elevaram a recomendação das ações da companhia de neutra para compra e estabeleceram um preço-alvo de R$ 24,00. Segundo o banco, não foi apenas a revisão que favorece a companhia daqui pra frente. Para eles, o Ebitda do trimestre (R$ 722 milhões) também foi destacado pelos analistas, que atribuíram o crescimento ao corte de custos.