Revisão do guidance da GOL é bem recebida e ofusca maior gasto com combustível

Analistas veem com bons olhos o ajuste diante de incertezas, fazendo com que a recomendação de compra das ações seja mantida

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SÃO PAULO – Embora o aumento do preço do petróleo tenha impactado negativamente as despesas da GOL (GOLL4), o resultado do trimstre foi considerado positivo por analistas da Ágora e do BB Investimentos, que se mostraram satisfeitos com a revisão do guidance da companhia aérea.

No primeiro trimestre de 2011, o lucro líquido ajustado da GOL somou R$ 110,5 milhões, superando em 362,1% o montante de R$ 23,9 milhões visto no mesmo período de 2010, com benefício de maiores ganhos de variação cambial no período. A receita líquida cresceu 6,3% na mesma base de comparação, puxada pela forte demanda. 

Demanda puxa receita
Segundo Leonardo Nitta, analista do BB Investimentos, a demanda no 1T11 foi 9,7% acima da apresentada no 1T10, o que acabou favorecendo a receita líquida ajustada da empresa, levando a uma taxa de ocupação recorde de 73,5%. Marcos Mattos também ressalta o avanço da demanda como um dos fatores responsáveis pelo bom desempenho da demanda.

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Porém, isso se deu via redução das tarifas – estratégia utilizada pela GOL para enfrentar o aumento da concorrência no setor – e por isso Nitta avaliou que houve impactos negativos nas margens. 

Yield
Por outro lado, Nitta destacou a estratégia de crescimento controlado da oferta da GOL, que busca um incremento em sua eficiência operacional. Essa estratégia compensou, em partes, a queda no yield (retorno sobre investimento) frente ao trimestre anterior. 

Já Mattos acredita que o yield foi, ao contrário, um dos destaques positivos do resultado, quando comparado ao 1T10.

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Pressão com combustível
A forte alta das commodities no cenário internacional foi um ponto que jogou contra a GOL. Os custos e despesas operacionais subiram 10,7% frente ao primeiro trimestre de 2010. Segundo o BB, porém, não foram apenas os combustíveis que pressionaram as despesas da companhia, já que o total ex-combustível registrou aumento de 4,7% na comparação anual.

Esse aumento reflete uma elevação nos gastos com manutenção e também nas despesas com pessoal.

Guidance
Nesse contexto de despesas pressionadas por alta das commodities, a empresa foi obrigada a revisar suas projeções financeiras para 2011, o que foi muito bem-vindo pelos analistas. A GOL reduziu sua estimativa de margem Ebit (lucro operacional/receita líquida) para um intervalo de 6,5% a 10%, antes de 11,5% a 14%.

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Como ambos esperavam uma margem mais conservadora para 2011, essa revisão passou a se situar “no lado otimista”, fazendo com que a recomendação seja de compra, tanto por parte de Ágora como por parte de BB.

No mais, as perspectivas futuras seguem otimistas. “Acreditamos que a companhia deve manter esse patamar de rentabilidade com uma melhor gestão dos custos ex-combustível e bom trabalho apresentado com o hedge de petróleo”, afirma o BB. 

Mattos estipula um preço-alvo de R$ 37,00 para dezembro de 2011, o que representa um potencial de valorização de 76,3% com base na última cotação de fechamento. Um pouco mais conservador, Nitta calcula um preço-alvo de R$ 35,35 para 12 meses, correspondendo a uma valorização hipotética de 68,4%.